Governo do Ceará abre investigação após denúncia de falhas em operação que localizou plantação de 290 mil pés de maconha em Acopiara

A megaoperação da Polícia Civil do Ceará que resultou na descoberta de uma plantação com cerca de 290 mil pés de maconha na zona rural de Acopiara, passou a ser alvo de investigação após denúncias de supostas falhas nos procedimentos adotados durante a ação. O Governo do Estado quer esclarecer por que parte do cultivo teria permanecido no local, mesmo após a operação ser apresentada como uma das maiores apreensões de entorpecentes da história do Ceará.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou, neste domingo (28), que instaurou um inquérito para apurar a atuação policial após receber denúncias relacionadas à operação. Em seguida, a Controladoria Geral de Disciplina (CGD) também anunciou a abertura de um procedimento disciplinar próprio, por determinação direta do governador do Ceará, Elmano de Freitas.

Em nota, a SSPDS destacou que toda e qualquer eventual falha nos procedimentos será investigada e que os responsáveis, caso sejam identificadas irregularidades, serão devidamente punidos dentro da lei.

A polêmica ganhou ainda mais repercussão após o deputado federal André Fernandes (PL) divulgar, nas redes sociais, imagens que mostram parte da plantação aparentemente preservada. Segundo o parlamentar, ele recebeu denúncias de que nem todo o cultivo havia sido destruído e decidiu ir até a propriedade para verificar a situação.

De acordo com André Fernandes, ao chegar ao local, foi constatado que apenas uma parte da plantação havia sido erradicada, enquanto uma extensa área permanecia intacta, sem qualquer tipo de isolamento ou vigilância policial. O deputado também afirmou ter encontrado documentos, cadernos com anotações e comprovantes de pagamento na residência existente na propriedade, levantando questionamentos sobre a preservação de possíveis provas.

Outro ponto destacado pelo parlamentar foi a ausência de equipes de segurança na área. Segundo ele, mesmo após comunicar as autoridades e permanecer no local por mais de duas horas, nenhuma viatura compareceu à propriedade.

A plantação de maconha ocupava uma área de aproximadamente três hectares, equivalente a cerca de quatro campos do Estádio Castelão. O caso rapidamente ganhou repercussão política, com críticas da oposição e cobranças por esclarecimentos.

Embora aliados do governo afirmem que o episódio está sendo explorado politicamente em um período pré-eleitoral, especialistas avaliam que a principal questão neste momento é a necessidade de respostas claras por parte das autoridades de segurança. Dependendo do resultado das investigações e da condução do caso, a situação pode gerar desgastes políticos para o governo estadual, especialmente em um momento de intensas articulações para as eleições de 2026.

Agora, a expectativa é pela conclusão das apurações para responder às perguntas que permanecem no ar: houve falha operacional? Por que parte da plantação teria permanecido no local? E, se houve irregularidades, quem serão os responsáveis?

Acompanhe a matéria:

Foto / divulgação

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