
Manifestantes pertencentes ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam, na manhã de ontem, o entorno da sede do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), na avenida Duque de Caxias, Centro de Fortaleza.
O grupo, que reivindica ações pontuais do Governo do Estado no combate à seca histórica, já havia feito manifestação, terça-feira, 16, em trecho do Canal da Integração, às margens da BR-116, no município de Pacajus, Região Metropolitana de Fortaleza.
Na manhã de ontem, ao deixar o Canal da Integração, homens, mulheres e crianças se dirigiram à sede do órgão nacional. Eles montaram barracas, armaram redes e acamparam. Permaneceram no local de maneira pacífica. Diferentemente da ação executada na BR-116, o grupo não criou barreiras para o trânsito.
Segundo Pedro Neto, integrante da coordenação estadual do MST, eles têm audiência marcada, às 10 horas de hoje, com o governador Cid Gomes e, às 15 horas, o grupo espera ser recebido por representantes do Dnocs.
Reivindicações
O objetivo dos manifestantes sem terra é buscar um cronograma de execução para ações de combate à estiagem no Estado. Segundo Pedro Neto, o grupo vai solicitar ao Governo do Estado a perfuração de 128 poços profundos e a recuperação de outros 23 em vários municípios do Ceará.
Entre as pautas, também estão os pedidos de construção de 72 açudes e reforma de 43. Não foram informados pela coordenação do MST os nomes dos reservatórios.
Seca na região
O Nordeste enfrenta uma das piores secas dos últimos 20 anos. Ontem, nenhum dos açudes do Ceará estava sangrando e apenas um tinha ocupação superior a 90% (o Gavião, em Pacatuba). Dos 139 reservatórios do Estado, 77 estão com volume inferior a 30%. Uma semana atrás, na última quinta-feira, 11, eram 75 os açudes com ocupação menor que 30%. Os dados são da Companhia de Gestão e Recursos Hídricos (Cogerh).
O Povo

