
Milhares de fiéis pintaram de branco as ruas de Fortaleza ontem em uma das mais tradicionais demonstrações da fé católica no Estado, a procissão de Nossa Senhora de Fátima. A caminhada teve início às 18h30min na Igreja do Carmo e rumou à Igreja de Fátima, em Fortaleza, onde a imagem da santa foi coroada em uma celebração – a 11ª e última missa realizada neste 13 de maio.
A dona de casa Janete Guimarães, 67 anos, acompanhava, pela segunda vez, a procissão em uma cadeira de rodas. Vítima de um acidente vascular cerebral (AVC) em 2011, Janete completou o percurso com o auxílio do filho, o cabeleireiro Jorge Guimarães, 37. “Sei que, se pedir com fé, ela vai me ajudar a andar novamente”, confessa a dona de casa.
Em meio a pedidos e promessas, a professora Mirian Abondancia, 37, compareceu à procissão para agradecer. “Há quatro anos me separei e minha filha adolescente saiu de casa. Naquele ano, vim pra caminhada e pedi que ela voltasse. Esse ano, ela voltou. Foi uma graça alcançada”, diz.
Durante o caminho, calçadas irregulares e ruas estreitas para o grande volume de pessoas dificultavam o percurso. Os incômodos, no entanto, eram amenizados pela solidariedade de quem distribuía água e ajuda para aqueles que faltavam. Nem uma chuva que cismou em aparecer no meio da caminhada foi o bastante para desaminar a empolgação dos fiéis. “Recebam a chuva. É uma chuva de graças”, exaltava um dos celebrantes de cima do trio elétrico que entoava músicas e orações durante o percurso.
Pelos 2,6 quilômetros percorridos, ruas e casas decoradas em homenagem à santa enfeitavam a celebração. A restauradora de imagens Malu Lima, 41, mantém, na rua Barão de Aratanha, uma das imagens de Nossa Senhora de Fátima mais cobiçada para fotos. Tradição iniciada pela mãe, falecida em outubro do ano passado. “Sempre acompanhei a procissão desde criança e agora vou continuar a enfeitar a imagem pela minha mãe, que era devota”, explica.
Fé crescente
Segundo Ivan de Souza, pároco da Igreja de Fátima há cinco anos, a quantidade de fiéis que atendem a missas e celebrações em homenagem à santa só aumenta. “Ano passado, tivemos 120 mil. Esse ano, foram 150 mil pessoas. Eu penso que existe algo além da devoção, algo mítico em torno de Nossa Senhora que a gente entende como um mistério, um chamado”, explica o padre.
O Povo

