
Vinte e oito famílias que habitavam irregularmente uma praça antes abandonada no bairro Vicente Pinzón foram removidas do espaço pela Prefeitura de Fortaleza, ontem. Com exceção de uma família, os ocupantes não resistiram à retirada. De acordo com a Secretaria Regional II, a ação cumpre decisão liminar de reintegração de posse concedida ao Município no dia 18 de julho, emitida pela juíza Joriza Magalhães Pinheiro, da 4ª Vara da Fazenda Pública. A intenção, segundo a regional, é que um centro esportivo seja construído no local.
Havia pelo menos três anos que as famílias viviam na área, localizada na avenida Dolor Barreira. Uma das representantes da comunidade já intitulada Deus Proverá, Maria do Socorro de Araújo Alves, 50, lembra outros momentos em que os barracos vieram abaixo por intervenção da Prefeitura, mas descreve que, dessa vez, foi diferente. “Eles chegavam do nada, derrubavam sem negociações e a gente voltava. Agora, a gente aceita porque eles estão prometendo nos levar para um lugar melhor. Já esperávamos por esse dia”, diz.
O prometido pelo governo, explica Silvana Leão Rodrigues, 36, outra moradora, é direcioná-los ao aluguel social a partir do dia 5 de setembro próximo. A futura morada, conta, deve ser temporária até que todos sejam beneficiados por residências em conjuntos habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida, por cadastros realizados pela Fundação de Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza (Habitafor).
O problema, destaca Juliana Silva, 24, outra ocupante, é que até 5 de setembro eles não têm para onde ir. “Mandaram a gente ir para a casa de amigos e parentes”, preocupa-se.
O chefe da equipe de remoção, Cristiano Férrer, coordenador municipal de Proteção e Defesa Civil, ratifica os procedimentos expostos pela comunidade, firmados em um termo de compromisso assinado pelas partes. Quanto ao problema apresentado por Juliana, diz que “não se pode fazer nada. São só poucos dias até passar a valer as condições garantidas pela Prefeitura”.
Sem negociação?
Os únicos moradores que resistiram à retirada foram João da Silva Domingues e Hosana Cristina Martins. O casal, proprietário havia 28 anos de um estacionamento e um lava-jato no lugar, diz que não foi notificado com antecedência. A Prefeitura nega. “Procuramos por eles várias vezes para negociar e sempre ouvíamos que os donos não estavam para conversar”, defende Cristiano Férrer. Vizinhos confirmam a versão da Prefeitura. João e Hosana acabaram cedendo à remoção, na tarde de ontem.
O Povo

