
Depois do fatídico episódio envolvendo a boate Kiss, em Santa Maria (RS), a prevenção e combate a incêndios virou item fundamental em estabelecimentos com grande aglomeração de público. No sábado, outro incidente, desta vez no Mercado Público de Porto Alegre (RS), que teve 10% da estrutura destruída devido a um curto-circuito. Apesar da distância geográfica entre as duas cidade, este último incêndio acabou resvalando em Fortaleza, funcionando como um alerta para o perigo existente em ambientes onde há intenso fluxo de pessoas e mercadorias.
Neste momento, por exemplo, locais como o Mercado Central, o Centro de Turismo do Ceará (antiga Emcetur) e o Centro Municipal de Pequenos Negócios (Beco da Poeira), todos com grande quantidade de produtos de fácil combustão, como tecido, plástico e madeira, apresentam falhas na segurança contra incêndio.
O Mercado Central, apesar de ter sido vistoriado há cerca de dois meses pelo Corpo de Bombeiros, precisa de ajustes para ter a renovação do certificado emitido pelo órgão de segurança. Já o Beco da Poeira não possui a certificação e, conforme a Secretaria Regional do Centro (Sercefor), está trabalhando para se regularizar.
Dos três, apenas a Emcetur está em dia com o Corpo de Bombeiros no quesito segurança contra incêndios. Mesmo assim, não está isento do risco de incêndio. A grande maioria dos extintores presentes nos saguões fica coberta por roupas, toalhas e outras mercadorias expostas para venda e faltam placas de “Proibido Fumar”. O supervisor de núcleo do Centro de Turismo, Laerte Fernandes, afirma que o estabelecimento possui um projeto que contempla o combate a incêndio, apresentado aos Bombeiros em 2010.
Melhorias
Conforme ele, o local passou por vistoria há cerca de oito meses e também possui brigada. Sobre os extintores “escondidos”, Fernandes diz que recomenda aos lojistas que não coloquem mercadorias em cima dos equipamentos e reforçou que irá procurar novamente os Bombeiros para reavaliar a situação.
“Depois da reforma, melhorou muito. Antes não tinha nem hidrantes internos, agora tem. Mas nenhum dos lojistas tem treinamento para usar os equipamentos. Metade não saberia que não pode misturar água e eletricidade, por exemplo”, revela Jackson Mendes, permissionário.
No caso do Mercado Central, segundo Juarez Elias, presidente da associação de lojistas do local, a última vistoria feita pelos Bombeiros foi realizada há cerca de dois meses. Ele afirma que todos os extintores, considerados suficientes pelo órgão, foram substituídos recentemente, e o Mercado também dispõe de uma brigada de incêndio com 22 pessoas treinadas atuando nos três turnos. De acordo com Elias, só o que está faltando para a certificação agora é a questão das mangueiras.
No Mercado, há extintores e mangueiras espalhados pelos corredores. Todos os pisos, inclusive estacionamento, contam com, pelo menos, sete equipamentos. No entanto, César Ximenes, proprietário de uma lanchonete no local, acredita que o risco de incidentes é alto.
A situação é ainda pior no Beco da Poeira. Apenas os corredores principais possuem extintores e também não existem sinalizações. “Como a estrutura é nova, acho que o risco de incêndio é menor, mas, se acontecer, o fogo pode se alastrar rápido”, destaca a vendedora Ana Paula Coelho.
De acordo com a assessoria de imprensa da Sercefor, a última vistoria dos Bombeiros aconteceu no último dia 8, e as recomendações foram a manutenção da fiação elétrica e a fiscalização dos permissionários para que evitem utilizar materiais inflamáveis.
Horácio Melo, engenheiro da pasta, reconhece que as condições atuais estão aquém do necessário, mas também destaca que o espaço já passou por revisões na fiação elétrica e no telhado para evitar infiltrações.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, todos os estabelecimentos com área superior a 740 m² devem ter um plano de incêndio para que possam receber o certificado de conformidade do órgão. O documento precisa ser renovado anualmente a partir de vistorias, entretanto, a fiscalização precisa ser solicitada previamente.
Diário do Nordeste

