
Uma paróquia sem teto, sem colunas de sustentação e sem verbas para fazer as reformas necessárias. A sexagenária paróquia São Francisco de Assis, no bairro Jacarecanga, em Fortaleza, precisa de R$ 1,2 milhão para ficar em condições de receber os fiéis. As poucas celebrações existentes ocorrem ao ar livre, quando não chove, numa nave sem teto. Por conta do abandono, o local já serviu de abrigo para oito famílias que não tinham para onde ir.
Os problemas estruturais são gritantes. As 22 colunas de sustentação existentes estão parcialmente destruídas. Segundo Luiz Mendonça, membro do conselho fiscal da paróquia, será necessário construir mais quatro colunas e restaurar as 22 existentes. “Vamos fazer um teto de madeira e telhas, para dar o ar de simplicidade característico de São Francisco de Assis”, afirmou o padre Bezerra, pároco da igreja. Mas, por enquanto, são apenas planos.
A primeira etapa dos objetivos do pároco até foi cumprida: realocar as oito famílias num espaço adequado. “Eles estão no conjunto Dom Hélder, da Habitafor (Fundação de Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza). Fizemos com que eles entendessem que este não era o lugar ideal para morar. Mas não expulsamos ninguém. Na verdade, o abandono aqui não foi maior por causa da ocupação deles”. admitiu o padre.
O templo, que segundo padre Bezerra é de estilo neoclássico, ficou sob sua responsabilidade há quatro anos. As péssimas condições do lugar não impediram os fiéis de frequentar a igreja. “Nos 16 anos que moro aqui sempre fui à paróquia. Quando chovia no meio da missa a gente dava um jeito de correr”, relembra a dona de casa Tereza Viana, 60. Desde 1959, a paróquia era dirigida pelo padre Mirton Lavor, hoje pároco emérito. Seus problemas de saúde, dentre eles o Alzheimer, e a constante falta de recursos, o impediram de cuidar devidamente da paróquia.
Obra inacabada
No templo central descoberto, há dois oratórios. Um para São Francisco de Assis, onde os bancos da igreja ficam guardados, e outro para Santa Edwiges. Há alguns salões e corredores com aspectos de masmorra. Nestes espaços, imagens de santos ficam amontoadas em meio a materiais de construção. O cenário é de uma obra iniciada em 1944 que persiste inacabada até hoje.
A cobertura proporciona uma visão privilegiada do mar e da cidade. Padre Bezerra deseja construir um mirante aberto a visitação pública, mas a paróquia só dispõe de R$ 28 mil em caixa. O pároco tem esperanças de conseguir a verba necessária para as reformas em três anos, através de campanha junto aos fiéis.
O Povo

