
Faltando pouco menos de dois meses para a Copa das Confederações 2013 – o evento começa em 15 de junho e Fortaleza recebe o primeiro duelo da Seleção Brasileira no dia 19, contra o México – é preocupante o ritmo lento com que as obras vêm sendo tocadas. Com o início da greve dos trabalhadores da construção civil pesada, deflagrada no último dia 16, a situação ficou ainda mais delicada. Para quem está com os prazos estourados, trata-se de um tempo precioso que não pode ser desperdiçado.
A comerciante Maria de Fátima da Silva, 59 anos, proprietária de um bar em frente à Arena Castelão, afirma que o trabalho dos operários está concentrado dentro do estádio e, do lado de fora, só tem muita poeira e lama. “Com essa greve está tudo parado. Disseram que ia ter uma turma de noite, mas nunca vieram. A gente fica observando, a obra não anda”, critica. Descrente nos prazos, a moradora não acredita que as intervenções no entorno do estádio fiquem prontas até a Copa das Confederações.
Na tarde de ontem, o prefeito Roberto Cláudio se reuniu com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil Pesada no Ceará (Sintepav-CE), Raimundo Nonato Gomes. O encontro, entretanto, não foi para tratar da greve, mas da criação de uma mesa permanente de negociação das centrais sindicais com a Prefeitura. O presidente do Sintepav explica que o governo municipal não tem legitimidade para negociar, já que só as empresas licitadas ou o sindicato patronal têm esse poder.
Acordos
Com o impasse entre trabalhadores da construção civil pesada e o sindicato patronal – a categoria reivindica reajuste salarial de 20%, enquanto os patrões oferecem 8,83% – existe uma sinalização das empresas para que sejam feitos acordos individuais em cada uma das obras.
No entorno da Arena Castelão, por exemplo, os empresários ofereceram reajuste salarial de 11% para quem ganha até R$ 2.500 e 9% para salários acima deste valor, além de reajuste de R$ 150 na cesta básica. A proposta será apresentada, hoje, pelo Sindicato à categoria. Caso seja aceita, amanhã as obras já deverão ser retomadas. “O que não significa que as demais também serão”, salienta Gomes.
O presidente da Associação das Empresas de Construção Pesadas, Dinalvo Diniz, discorda dessa postura de negociar individualmente. “Se for para negociar com empresa para que existe sindicato? Tem que ter o mesmo peso e a mesma medida para todos”, ressalta. Diniz comenta que os trabalhadores estão querendo tirar proveito das empresas, especialmente as que têm obras que visam a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, que estão fragilizadas por terem prazos a cumprir. Entre as intervenções que fazem parte do chamado “Pacote Copa”, de responsabilidade da construção civil pesada, estão as obras do Aeroporto Internacional Pinto Martins, Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e os túneis da Avenida Engenheiro Santana Júnior. Todas obras paradas em decorrência da greve.
Desde que as intervenções no entorno da Arena Castelão tiveram início, em 23 de fevereiro deste ano, o cronograma teve um salto de 2% para 50%. É o que afirma Domingos Neto, titular da Secretaria Extraordinária da Copa. O gestor esclarece que os operários já começaram o mês de abril trabalhando no terceiro turno e, durante a greve dos trabalhadores da construção civil, as interferências, como postes de iluminação, rede de água, esgoto e concessionárias de telefonia, que impediam que as obras avançassem.
“Agora estamos com a frente de obras liberada para avançar e ampliar o ritmo”, salienta. Conforme o secretário, além da paralisação de quase 600 funcionários, o impacto da greve no cronograma é parcial já que a retirada das interferências continuaram. Até a Copa das Confederações, o número de operários trabalhando no entorno do Castelão deverá chegar a mil. O prazo final para entrega da obra está mantido: dia 15 de junho.
“Esperamos que o sindicato perceba a importância dessa obra não só para a Prefeitura, mas para Fortaleza. O maior prejudicado com os atrasos é o cidadão”, frisa Neto. O gestor informa que em dois dias será iniciado a concretagem das alças da rotatória do viaduto e, em 20 dias, será finalizada a parte da via no sentido Aeroporto/Castelão, por onde o tráfego de veículos poderá ser remanejado.
Diário do Nordeste

