FORTALEZA: Fiscalização termina com duas pessoas feridas e cinco detidas

Conforme acordo firmado entre a Prefeitura e os autônomos, os vendedores poderiam usar o espaço público apenas até as 7h. Agentes da Sercefor chegaram às 8h e 30 policiais foram chamados para conter os ânimos (Foto: Helosa Araújo/Diário do Nordeste)

Pedras, balas de borracha e bombas de efeito moral. A Rua José Avelino, localizada no Centro de Fortaleza, foi palco de mais um conflito entre Polícia e vendedores ambulantes da região. Na manhã de ontem, a habitual fiscalização da Prefeitura de Fortaleza no entorno do Mercado Central transformou-se em confronto após a permanência irregular dos trabalhadores autônomos no local. Segundo informações da Polícia Militar (PM), um guarda municipal e um vendedor foram feridos e atendidos em um hospital. Cinco pessoas foram detidas e levadas para delegacias.

O ambulante Francisco Airton dos Santos foi atingido nas costas por uma bala de borracha disparada pela PM. De acordo com o autônomo, os agentes da Secretaria Executiva Regional do Centro de Fortaleza (Sercefor) chegaram ao local por volta das 8h e apreenderam o material dos vendedores. Segundo acordo firmado entre ambulantes e Prefeitura, eles poderiam permanecer no local apenas até 7h. Indignados, alguns teriam atirado pedras contra a equipe composta por fiscais e guardas municipais.

Conforme o major Ducildo Bezerra, supervisor de policiamento da Capital, cerca de 30 policiais do Ronda do Quarteirão, do Comando Tático Motorizado (Cotam) e do Comando de Policiamento da Capital (CPC) foram acionados para conter os ânimos exaltados. Um helicóptero da PM também fez monitoramento no local.

Comercializando roupas há dois anos, a ambulante Kátia Helena está acostumada com as fiscalizações, mas mostrou-se surpresa com a situação. “Foi diferente. Em vez de pedirem para a gente tirar os produtos, já chegaram atirando balas de borracha e levando tudo. Somos todos trabalhadores. Os fiscais são despreparados”, opina.

Segundo o subtenente Barbosa, da 1ª Companhia do 5º Batalhão de Polícia, o confronto durou em torno de uma hora. Cerca de 200 vendedores ambulantes estavam no local.

Irregularidades

Funcionando inicialmente na Praça da Sé, a feira acontece na Rua José Avelino desde maio de 2011, e é um dos maiores mercados ao ar livre do Estado.

Para regularizar a situação do aglomerado de gente que ocupa calçadas e pistas com os mais variados produtos, a Prefeitura, no início da atual gestão, firmou acordo com os ambulantes por meio da Secretaria do Centro. A determinação define o uso do espaço somente na madrugada das quintas e domingos, até 7h.

Conforme Régis Dias, titular da Sercefor, a fiscalização ocorre desde fevereiro. “Uma pequena parcela de ambulantes descumpre o acordo. São verdadeiros bandidos travestidos de vendedores. Os ambulantes são do bem e querem trabalhar, essa minoria não os representa. Vamos prender e fazer o papel do poder público”. A ordem da Prefeitura, segundo o secretário, é manter o diálogo com os vendedores. A próxima fiscalização deve ocorrer na quinta-feira.

A reportagem tentou contato com a Guarda Municipal, mas, até o fechamento desta edição, não obteve sucesso.

Diário do Nordeste

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