
No terceiro domingo da Quaresma, ontem, a orientação da Arquidiocese de Fortaleza, foi que as tradicionais missas matinais não ocorressem nas paróquias. Isto porque, católicos da Capital e da Região Metropolitana, foram convidados a participar da 5ª Caminhada Penitencial, que, às 7h, saiu da Igreja Nossa Senhora da Saúde, no Mucuripe, rumo a Igreja da Sé, no Centro. Uma multidão compareceu. No percurso de 5 km, orações, músicas, penitências e confissões, deram o tom da demonstração pública de fé, entre os católicos no período de preparação para a Páscoa.
Mais de 30 mil pessoas eram esperadas para edição da Caminhada, este ano, e o público não decepcionou. Milhares de cristãos acompanharam o cortejo que percorreu as avenidas Abolição, Almirante Barroso, Pessoa Anta e Alberto Nepomuceno. Com o terço entre os dedos, variando entre o silêncio, os sussurros e as cantorias, a dona de casa, Maria Rosa, com ânimo e fé, mais uma vez compareceu a procissão.
PENITÊNCIAS E CONFISSÕES
Junto a uma amiga, ela, que atua na Paróquia do Cristo Redentor, garante que não há tempo para cansaço. Para a devota, o cortejo expressa o respeito e a devoção a Jesus Cristo, sendo fundamental, o seguimento de seus ensinamentos. Além das orações, alguns participantes da caminhada, como símbolo de penitência, revezavam-se no carregamento de uma grande cruz. O gesto, conforme apontou o arcebispo de Fortaleza, Dom José Antônio Aparecido, em Carta Circular, lembra a ação “de Jesus que tomou para si todos os pesos da humanidade a fim de redimi-la”. Já outros fiéis, aproveitaram o percurso para confessarem-se com os sacerdotes de diversas paróquias, que foram aconselhados por Dom José, a comparecerem a marcha, usando túnicas e estola roxa, pondo-se a disposição para atendimentos às confissões durante a Caminhada.
EVENTOS EVIDENCIAM A FÉ
Segundo Dom José, o evento é um “sinal público da expressão da fé e é também a oportunidade para fazer um caminho mais profundo de conversão”. O argumento é também defendido pelo Padre Ivan de Souza, responsável, ontem, pela liturgia. “Esse é o momento de experimentarmos este caminho percorrido por Jesus. Buscarmos a reflexão, a palavra e, ainda compreendermos que se não houver transformação não haverá ações novas”, ressaltou.
E é exatamente assim, que o auxiliar administrativo, Diniz Santos, enxerga o ato, que, ontem, foi vivenciado por ele pela primeira vez. “Eu atuo na Paróquia da Praia do Futuro. Já conhecia a Caminhada mas nunca tinha vindo.
É tudo muito forte e necessário, ir as ruas para dizer o quanto é indispensável a conversão”, defendeu. Para ele, eventos como a Caminhada, o Queremos Deus, a Jornada Mundial da Juventude [a ser realizada este ano no Rio de Janeiro] resgatam as expressões de fé, aproximam e fortalecem os católicos em suas convicções. Ao término da Caminhada, uma missa, presidida pelo Arcebispo, foi celebrada na Catedral.
O Estado

