
Dezenas de barracas, feitas com lona e madeira, foram erguidas em terreno na avenida Senador Carlos Jereissati, em frente ao Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza. De acordo com os ocupantes, a invasão começou há cerca de 15 dias. Três tentativas de remoção do grupo foram feitas, mas as moradias foram remontadas logo depois.
“Quando eles mandam o trator, vai tudo para o chão. Nós não vamos desistir. Vamos voltar sempre. Não importa quantas vezes eles tentem nos expulsar”, prometeu Alessandra Mendes, 30 anos. A costureira, que está desempregada, justifica a ocupação pela “falta de recursos para pagar um aluguel”.
Entre as moradias improvisadas, crianças andam, algumas utilizando o fardamento escolar. Adriana Maciel, 38, ocupa o seu “pedaço de chão” com o marido, as duas filhas e um neto. “Todo mundo está aqui por necessidade, por precisar mesmo. Minha filha está grávida novamente e não tenho mais condição de pagar aluguel”, diz.
Cada morador da ocupação tem direito a uma área demarcada de quatro metros por treze metros. Também há ruas, de seis metros de largura, feitas com cordões. “Tudo separado para não ter bagunça. Somos um grupo organizado. São famílias, crianças, trabalhadores. Quem não está aqui no momento, está no emprego ou procurando pedaços de madeira para colocar nos barracos”, afirmou Francisca Marluce Batista, 31, que trabalha como atendente, mas deixou a função por 15 dias para ficar no acampamento.
Indagados sobre a existência de uma liderança, os moradores disseram não haver uma pessoa monitorando o movimento, mas que estariam dispostas a indicar alguém, caso o poder público solicitasse diálogo para debater uma solução. Não foi possível precisar quantos moradores estão no terreno. “Temos mais de 200 famílias”, diz Marluce Batista.
Os ocupantes disseram não acreditar na eficácia dos programas habitacionais. “Fiz minha inscrição no Minha Casa, Minha Vida há mais de cinco anos e nunca tive retorno. Estou aqui por falta de opção”, disse a auxiliar de cozinha Raquel da Silva, 28 anos.
O POVO entrou em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria Regional IV (SER IV) na noite de ontem para saber se será realizada alguma visita para dialogar com os moradores da ocupação. Perguntou também sobre a posse do terreno e como foram as tentativas de remoção das famílias ocupantes. A reportagem foi informada de que só seria possível ter a solicitação atendida na manhã de hoje, 3, e que a resposta seria dada em conjunto pela SER IV, o gabinete do Prefeito e a Secretaria do Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) . Também foi enviado email para o órgão.
O Povo

