
A Secretaria Municipal do Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) de Fortaleza autuou a empresa Cascaju, de onde vazou o óleo de castanha que alagou ruas dos bairros Praia do Futuro e Cais do Porto. A empresa deverá apresentar sua defesa em um prazo máximo de cinco dias. A companhia pode ser multada.
De acordo com o chefe de fiscalização da Seuma, Jorge André, o óleo que vazou é uma espécie de extrato da castanha de caju. Em contato com a pele, o material pode causar tais queimaduras.
O vazamento ocorreu na última sexta-feira, 7, quando a válvula de um dos tanques da empresa foi roubada, provocando o derramamento do líquido, armazenado em diversas ruas da região. O material, segundo laudo da Seuma, é prejudicial. Até a tarde de ontem, o óleo ainda não havia sido removido do local.
Por meio de nota, a Seuma informou também que foi constatada poluição do solo atingido pelo óleo. No entanto, não precisou o grau de malefício que pode ser causado à população que está em contato direto com o material.
O POVO tentou contato com a gerência jurídica do Grupo Edson Queiroz, responsável pela empresa, mas as ligações não foram atendidas.
Na manhã de ontem, moradores foram à sede do Ministério Público Federal do Ceará (MPF/CE) para cobrar uma posição. Por meio da assessoria de comunicação, o órgão explicou que irá ajuizar um procedimento administrativo. Esse processo pretende instaurar uma investigação acerca do caso.
Reclamações
Fabiana Brogliato é moradora da Praia do Futuro e diz que, até ontem, nenhum pronunciamento público havia sido feito pela empresa responsável. “Não teve nenhum informe sobre como os moradores e demais motoristas e pedestres que por ali passam deveriam proceder com o óleo”, conta.
A moradora criou um grupo da rede social Facebook intitulado “Corroídos e prejudicados”. Nele, as pessoas que se sentiram atingidas negativamente pelos efeitos do óleo trocam informações sobre quais atitudes devem adotar.
“Estou rouca desde sexta-feira. Minha mãe, de 83 anos, também está passando mal com esse cheiro”, relatou Cibila Rosa, 61, que mora na rua Dioguinho, em frente à fábrica de onde vazou o material. Enquanto falava sobre seu carro danificado com o líquido que jorrou, Cibila coçava os braços: “Você tá vendo? É por causa desse óleo”.
Fabrício Ferreira dos Santos, 29, está com pernas e braços repletos de queimaduras. Ele diz que participou do processo para estancar o óleo, no momento em que estava jorrando, ainda na sexta-feira.
O Povo

