FORTALEZA: “Chegou a hora de retomar a obra no Cocó”, diz Roberto Cláudio

Intervenção no Parque do Cocó para construção de viadutos já resultou na derrubada de 79 árvores. Mais quinze devem ir abaixo (Foto: Fabio Lima/O Povo)

Após os últimos dias terem sido de reviravoltas jurídicas e administrativas, a Prefeitura de Fortaleza voltou a ter a liberação legal para dar continuidade à construção de viadutos na área do Cocó. Porém, a semana começa com uma indefinição prática sobre a retomada da obra: enquanto o prefeito Roberto Cláudio (PSB) pede a saída das pessoas que continuam acampados no local, o grupo de manifestantes promete ir até as últimas consequências e se amarrar às árvores, se for preciso.

“Não há nenhuma pendência. Fiz apelo público aos manifestantes para que a gente possa retomar os trabalhos. Eles tiveram oportunidade, mas agora chegou a hora da gente retomar a obra, porque é isso o que as pessoas têm me cobrado nas ruas”, disse ontem o prefeito, em entrevista exclusiva ao O POVO. “Eles (os manifestantes) já disseram o que pensavam e já entraram na Justiça”, acrescentou, citando que, além da decisão judicial favorável, a Prefeitura também obteve a liberação administrativa da Secretaria de Patrimônio da União (SPU).

Mesmo frisando que a permanência do grupo no local constitui “ato de ilegalidade”, Roberto Cláudio diz que vai “prezar pelo diálogo” durante a semana, para convencer os manifestantes a liberar o trecho sem maiores desgastes. Segundo ele, agentes do Programa de Transporte Urbano de Fortaleza (Transfor) vão novamente ao local nos próximos dias para conversar com as pessoas acampadas.

Sem alternativas

Questionado se há alguma possibilidade de a Prefeitura desistir da construção dos viadutos ou fazer alterações no atual projeto, Roberto Cláudio diz que não. “Ou se faz a obra com esse projeto ou a gente não tem intervenção nenhuma ali”, adverte.

Isso porque, de acordo com o prefeito, a administração municipal já trabalhou com várias possibilidades e estudou todas as alternativas de mobilidade para o trecho em questão. A construção dos viadutos, reforça RC, é a única opção viável tecnicamente para desafogar o trânsito naquela área. Ele voltou a dizer que a construção de túneis não seria possível devido às condições do relevo próximo ao rio. O prefeito cita ainda que o projeto inicial, feito durante a gestão da ex-prefeita Luizianne Lins (PT), invadiria ainda mais a área do parque e resultaria na derrubada de mais árvores que as 94 que serão cortadas pelo atual projeto – 79 já foram abaixo.

“Sempre fui alguém de muita sensibilidade com a questão ambiental. (…) Mas não podemos tornar esse debate algo ideológico, sectário, que aqui, acolá tem interesses políticos”, observa.

A obra de construção dos viadutos no encontro das avenidas Antônio Sales e Engenheiro Santana Júnior foi iniciada no início do mês, com a derrubada de dezenas de árvores. A Justiça chegou a suspender os trabalhos. Porém, na última quarta-feira, 24, o presidente do Tribunal de Justiça, Gerardo Brígido, cassou a liminar que impedia o andamento da obra. Dois dias depois, a SPU também liberou a retomada.

GRUPO PROMETE SE AMARRAR AS ÁRVORES

Os ativistas que seguem acampados no Cocó afirmam que permanecerão no parque, mesmo que a Guarda Municipal e a Polícia Militar tentem expulsá-los do local. Os manifestantes cogitam até mesmo se amarrar às arvores.

Para evitar o confronto, o grupo convoca a população de Fortaleza para manifestações no trecho onde os viadutos serão construídos, no encontro das avenidas Engenheiro Santana Junior e Antônio Sales. Eles dizem que só devem sair quando o projeto for alterado pelo prefeito Roberto Cláudio (PSB), evitando a derrubada da mata do parque.

Uma das lideranças do grupo, Rosa da Fonseca – integrante do movimento Crítica Radical -, explica que o rumo das manifestações ainda não está definido. “Elas vão acontecer dependendo de como as coisas vão andar nos próximos dias”, disse. Inicialmente, está marcado para amanhã à tarde um protesto em frente ao Paço Municipal, sede da Prefeitura.

Rosa também explica que são realizadas atividades durante o acampamento para fortalecer a manifestação. Ontem foi realizado debate sobre os pontos negativos das obras e as alternativas que podem ser adotadas. O evento contou com a participação dos professores da Universidade Federal do Ceará (UFC) Jeovah Meireles, do curso de Geografia, e José Sales, do curso de Arquitetura, ambos contrários à construção dos viadutos no local.

O Povo

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