FORTALEZA: 21% dos alunos da rede pública são analfabetos

Correção de Fluxo conseguiu alfabetizar 80% de 60 mil alunos (FOTO: TATIANA FORTES/O POVO)

Fortaleza tem 13.747 alunos na rede pública municipal de ensino que, mesmo estando entre o 3º e o 5º anos do ensino fundamental, ainda não sabem ler e escrever. Isso representa 21% dos alunos nessa faixa etária. Esse índice foi obtido por meio de levantamento realizado pela Secretaria Municipal da Educação (SME) no começo do ano letivo de 2013.

A partir dele, a SME decidiu incluir esses alunos em turmas voltadas só para a alfabetização. Assim, os estudantes com deficiência no aprendizado deixarão as turmas regulares por um período de três a cinco meses.

“A (nossa) compreensão é de que o aluno está fora do processo de aprendizagem de qualquer disciplina se ele não está alfabetizado”, explica a coordenadora de Ensino Fundamental da SME, Dóris Leão. As aulas das novas turmas serão inciadas em 3 de junho próximo.

Segundo a coordenadora, essas turmas funcionarão nas escolas onde os alunos estudam. “A não ser em caso de escolas vizinhas e com poucos alunos, a gente pode juntar numa só escola temporariamente”, disse.

As turmas de alfabetização utilizarão metodologias de ensino desenvolvidas pelo Programa de Correção de Fluxo em Alfabetização do Ministério da Educação e do Grupo de Estudos em Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação (Geempa).

Outra ferramenta utilizada será o software Luz do Saber, criado pela Secretaria da Educação do Ceará (Seduc), que proporciona a alfabetização com auxílio da computação. “A meta é alfabetizar 100% dos alunos”, enfatiza Dóris. Segundo a coordenadora, os estudantes passarão por avaliações a cada 15 dias.

O programa

Presidente do Geempa e pesquisadora de aprendizagem, Esther Grossi informa que o programa Correção de Fluxo conseguiu alfabetizar 80% dos 60 mil alunos atendidos pelo projeto ano passado. Para ela, o analfabetismo entre as crianças é explicado pela metodologia convencional utilizada para a alfabetização.

Graduado em Letras e formador de alfabetização do Pacto Nacional de Alfabetização na Idade Certa (PNAIC) em Maracanaú, Jean James Travassos alerta que é preciso evitar que o projeto “caia no rótulo de reforço”. Para ele, é necessário trabalhar a alfabetização de maneira interdisciplinar, possibilitando que os alunos não fiquem com conhecimento desafado em relação aos demais.

O Povo

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