Fatores que provocam microcefalia além da zika vírus

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Ao todo, 287 casos suspeitos de microcefalia foram notificados no Ceará. Deste número, apenas 24 casos (8,4%) estão confirmados e 20 descartados (7%) para microcefalia e/ou alteração do sistema nervoso central (SNC) sugestiva de infecção viral congênita. A informação faz parte do último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa), no último dia 15 de fevereiro.

Em comparação com o último boletim da Sesa, no dia 5 de fevereiro, o número de casos confirmados de microcefalia e/ou alteração do SNC que sugerem infecção congênita saltou de 11 para 24 no Ceará.
Segundo o boletim, dos 24 casos confirmados, apenas 4% tiveram diagnóstico confirmado para o zika vírus, sendo 96% encerrados por critério clínico-radiológico, por apresentarem ligação com infecção viral congênita. Do total de casos notificados no Ceará, 12 evoluíram para óbito. Porém, três ainda permanecem em investigação e nove foram confirmados como casos sugestivos de infecção congênita. Segundo o boletim, somente um caso teve a identificação do vírus zika em tecido fetal.

Subnotificação
Uma pesquisa realizada por professores da Universidade Federal do Ceará (UFC) aponta que há outros fatores associados à microcefalia além da infecção pelo zika vírus. Destaca, ainda, para a grande quantidade de casos não notificados há dez anos, revelando fragilidade das estatísticas oficiais do País.
“Os casos de microcefalia só passaram a ser obrigatórios a notificar a partir de outubro do ano passado. Isto é, antes disso, não se tinha um parâmetro quantitativo de quantos casos aconteciam”, explica o professor Hermano Lima Rocha, do Departamento de Saúde Comunitária da Hermano da UFC. Ele destaca que, em 2007, casos de recém-nascidos diagnosticados com microcefalia chegavam a 200 por ano.

Mas, um levantamento feito pela Rede Nordeste de Saúde Perinatal, com financiamento do Ministério da Saúde, constatou, que o número real de crianças que nasciam com o perímetro cefálico reduzido era maior do que o divulgado oficialmente, chegando a 2,5% do total de nascidos. “Estima-se a ocorrência de cerca de cinco mil casos por ano, pelo menos. O alarde agora acontece por estarmos mais sensibilizados com a situação e por ter surgido esse novo fator de influência pelo zika vírus”, alerta o professor. O pesquisador defende que ainda é cedo para atribuir a epidemia de microcefalia ao zika por conta da incipiência dos estudos.

Anomalias
A pesquisa aponta, também, para a incidência de outros fatores clássicos associados à microcefalia, como as anomalias congênitas, o uso de corticoide nas gestantes e a restrição de crescimento intrauterino (RCIU). A pesquisa também aponta a redução do parâmetro cefálico (ou a circunferência da cabeça) de bebês com suspeita de microcefalia. “Temos que destacar que esses fatores podem funcionar como causadores de confusão na hora de diagnosticar o causador da doença”, ponderou.

Perímetro
Após os primeiros rumores sobre a epidemia de microcefalia, o Ministério da Saúde estabeleceu como parâmetro de corte para a identificação de bebês com má-formação congênita recém-nascidos com perímetro cefálico menor do que 33 centímetros. Em dezembro, o critério de corte foi reduzido para 32 centímetros. No entanto os pesquisadores da UFC e de outras universidades trabalharam com a base de até 31,5 cm.

A pesquisa ressalta que, dos recém-nascidos avaliados de maio de 2015 a janeiro de 2016 com o perímetro cefálico menor que o ideal, apenas 36% foram diagnosticados com microcefalia. Em entrevista ao jornal O Estado, o professor Hermano Alexandre avalia a medida como cautelosa. “Essa mudança pode estar colocando crianças que não têm microcefalia na relação das que têm. Talvez seja importante pela cautela no diagnóstico, mas é preciso observar o desenvolvimento delas. Em muitos casos, o bebê não tem má-formação cerebral e nem comprometimento cognitivo”, pontuou.

Brasil
No Brasil, o boletim do Ministério da Saúde mostra que foram confirmados até o momento, 508 casos e 837 descartados. De acordo com o boletim, 3.935 ainda estão sendo investigados. Entre os confirmados, apenas em 41 foi encontrada a presença de zika vírus na estrutura cerebral dos recém-nascidos.
Segundo o Ministério da Saúde, 3.174 foram notificados no ano de 2015 e 2.106 até fevereiro deste ano. Ao todo, foram registrados 108 óbitos por microcefalia ou alteração do SNC após o parto ou durante a gestação. Desse total, em 27 foram confirmados a morte por microcefalia, 11 foram descartados e outros 70 continuam em investigação.

As investigações de microcefalia começaram em outubro do ano passado e seguem até o momento. Segundo o Ministério da Saúde, 22 estados brasileiros estão com circulação autóctone do zika vírus.

Fonte: OE

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