Consumo de energia elétrica cresce 10,1% no Ceará em 2012

No Ceará, geralmente o consumo é maior no segundo semestre, quando não há chuvas, como informam os especialistas (Foto: Deivyson Teixeira/O Povo)

O consumo de energia no Ceará cresceu em 10,1% nos últimos 12 meses, segundo dados da Companhia Energética do Ceará (Coelce). De acordo com a pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco), o Brasil desperdiça 10% da energia consumida, o que daria para alimentar o equivalente a quatro estados do Ceará por um ano.

Segundo a Coelce, a classe rural puxou a evolução no consumo, mas as outras classes consumiram a maior parcela de energia (63,7%). De acordo com José Caminha Araripe, gerente de regulação e Mercado da Coelce, o aumento ocorreu devido ao uso de aparelhos elétricos para irrigação durante a estiagem de 2012 e o aumento de unidades fornecedoras de energia no interior do Estado com a iniciativa de programas como o Luz para Todos, do Governo Federal.

Como explicou José Caminha Araripe, geralmente o consumo no Ceará é maior no segundo semestre, quando não há chuvas. O clima é mais quente e as atividades no comércio e na indústria recebem maior demanda. Segundo Araripe, o horário de maior consumo no Ceará é entre 17h30min e 20h30min, quando as pessoas estão em casa e boa parte do comércio ainda está funcionando.

Conscientização
Tomaz Cavalcante, mestre em distribuição de energia elétrica, diz acreditar que depois de 2001, com o racionamento, a população se conscientizou, mas os consumidores estão perdendo essa cultura.

De acordo com Tomaz Cavalcante, é preciso fazer não apenas um acompanhamento político ou técnico da situação, mas comportamental, promovendo campanhas de conscientização sobre o uso da energia elétrica. “Na minha visão, a solução passa por três setores: o ambiental, o técnico e do consumidor”, comenta.

Para Alexandre Rocha Filgueiras, mestre em Energia Eólica, do Departamento de Engenharia da UFC, o racionamento de energia depende da conscientização e disciplina de cada pessoa.

Segundo ele, a saída teria três linhas: a educativa (para conscientizar a população no planejamento e organização em termos de consumo), a tecnológica (com o uso de equipamentos de melhor eficiência energética) e alternativas (a produção de energia de outras fontes como a eólica e a solar).

Alexandre cita que “os parques eólicos ajudariam a economizar água no período de escassez. “Isso implica uma ousadia, um incentivo para a implantação de parques eólicos. É uma construção rápida, de três anos, enquanto que uma hidroelétrica levaria de 10 a 12 anos para ser construída”, exemplifica o especialista.

O Povo

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