Ceará tem a maior proporção de munícipios em situação de emergência no Nordeste

Animais são atingidos pela falta de água e comida (FOTO: Tribuna do Ceará)

A seca e suas consequências persistem no estado do Ceará durante esse ano. Ao contrário do que se pode pensar com as chuvas do mês de abril, 96% dos municípios cearenses está em estado de emergência.

Além disso, de 2011 para 2012 a produção agrícola caiu de 1,9 milhão para 230 mil toneladas. Segundo o secretário de Políticas Agrícolas da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Ceará (Fetraece), Luiz Carlos Ribeiro, em 2013 houve uma piora do quadro no estado.

“Continua preocupante. [O quadro] se agravou em relação ao ano passado. Os açudes e reservatórios de abastecimentos das cidades estão em fase colapso, ou seja, menos de 10% do potencial hídrico na maior parte. Os outros estão em situação de alerta”, explicou. Ele ainda ressaltou que o reservatório com baixa quantidade de água compromete a qualidade para o consumo humano.

“Na pastagem a gente teve o mesmo fator. Se agravou bastante. Nos últimos meses houve uma melhorada por causa da chuva, mas as chuvas não foram suficientes para gerar volume nos reservatórios”, disse. Ribeiro também contou que a avaliação da pastagem se dá em três a quatro meses e que a produção gerada por causa das rápidas chuvas é apenas temporária.

De acordo com ele, a situação é tão grave que alguns agricultores nem chegaram a plantar neste ano. “A produção não passa da média de 10%. Em algumas regiões chega a 20%, pois são áreas em que o clima favorece, como as serras”.

Melhora

Mesmo com o quadro de agravamento relatado pelo secretário da Fetraece, ele afirmou que houve uma melhora no aspecto de políticas de amparo. Segundo Ribeiro, as ações do governo do Ceará não resolviam o problema, pois exigiam muita burocracia para chegar até o agricultor. “Havia uma distância muito grande entre a conquista da media e a prática. Por isso, levamos 15 mil pessoas e cinco pontos estratégicos do Ceará para protestar”, disse.

“Nossa avaliação é que todas essas medidas não resolvem, elas vão amenizar a situação. O problema é muito grave. Precisamos de políticas estruturantes mais eficientes que causem menores impactos em momentos de seca. Até o fim do ano, vamos conviver com dificuldades no campo”, avaliou.

Ações em adamento

De acordo com a Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), nesta segunda-feira (6), foi anunciada uma nova linha de crédito especial pelo Banco do Nordeste (BNB) para a produção e comercialização de forragem e ampliação as alternativas de alimentação animal, fortalecendo a atividade pecuária.

Sobre a produção de forragem, a SDA e o Ministério da Integração Nacional assinaram convênio para viabilizar esta produção. Na ocasião, também foi assinado acordo de cooperação entre a SDA o BNB para que os agricultores contemplados com os sistemas de irrigação tenham acesso à linha de crédito. A estimativa é que 2.017 agricultores familiares sejam beneficiados.

“Já antecipamos em uma hora o funcionamento das nossas agências para atender aos agricultores que solicitarem este crédito. São oriundos do Fundo Constitucional do Nordeste (FNE) e podem ser pagos em até 15 anos, com um ano de carência e juros de até 3,5% ao ano”, afirmou o presidente do BNB, Ary Joel. “Só poderão ter acesso a este crédito os agricultores familiares cadastrados no Pronaf”, concluiu.

Outras ações

Segundo Ribeiro, é necessário investir em políticas estruturantes para reverter o quadro da seca. “O governo se comprometeu a adquirir mais cinco máquinas para perfuração de poços, totalizando 12. Além disso, será feito um calendário de perfuração de poços num total de 50 por mês no Ceará.

Ele ainda considerou que a criação de poços, sistema de irrigação e a disponibilização de áreas molhadas é que solucionariam o problema de qualquer seca.

De acordo com a SDA, a meta até o final deste semestre é de universalizar os escritórios da Ematerce no interior, para garantir aos trabalhadores e trabalhadoras o acesso às políticas públicas rurais do Estado e da União.

Também está em pleno andamento o Programa de Cisternas, que vai garantir água de qualidade para o consumo humano e para a produção. Estão em andamento obras de 33.400 cisternas de placas, com investimento de R$ 186 milhões. Já estão construídas no Ceará mais de 65 mil cisternas de placas. Ainda segundo a secretaria, estão em andamento obras de 7.200 quintais produtivos, mantidos com cisternas de enxurrada ou barragens subterrâneas, com investimento de R$ 181 milhões.

Tribuna do Ceará

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