O Ceará tem quatro casos confirmados de febre chikungunya neste ano, sendo dois em Fortaleza e dois no município de Aracati, situado a 150 Km da Capital. Ao todo, 515 casos suspeitos foram notificados, em 2015, pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). Dos casos confirmados, três foram trazidos do Oiapoque, no Amapá, e um da República Dominicana, esclarece o órgão estadual.
O que a febre chikungunya, a dengue e a zika vírus têm em comum? São todas doenças infecciosas transmitidas pelo Aedes aegypti – o mesmo transmissor da dengue. Na nota técnica do último dia 14, a Sesa alerta que, diante da infestação do mosquito em quase todos os municípios cearenses e do intenso fluxo de turistas vindos de áreas com transmissão, o Ceará já apresenta risco de introdução e circulação viral.
Em 2014, ano de introdução da doença no Estado, dos 53 casos notificados, seis foram confirmados, sendo quatro em Fortaleza, um em Brejo Santo e um em Aracoiaba. Todas as ocorrências foram em pessoas que viajaram para países com transmissão da doença: República Dominicana, Suriname e Taiti.
Importados
Márcio Garcia, coordenador de Promoção e Proteção à Saúde da Sesa, esclarece que não há registros, até o momento, de casos nos quais a transmissão tenha ocorrido no Ceará. “São todos casos importados”, reforça.
O problema é que, como se trata de doença cujos sintomas são bem parecidos, o diagnóstico ainda é confuso. Febre alta de início súbito maior que 38,5º e dor nas articulações, não explicado por outras condições, tendo a pessoa visitado áreas endêmicas ou que tenha vínculo epidemiológico com algum caso confirmado, são sintomas que devem ser observados por caracterizar a chikungunya.
O coordenador da Sesa acrescenta que as três doenças possuem sinais semelhantes, como a febre. No entanto, cada uma pode se manifestar com sintoma mais marcante. A zika, por exemplo, pode vir sem febre, e o seu sintoma mais evidente são manchas avermelhadas espalhadas pelo corpo acompanhado de uma coceira intensa.
No caso da febre chikungunya, a dor nas articulações é mais intensa, podendo durar meses e até anos. Já a dengue acumula todos esses sintomas: febre, dores musculares, nas articulações e manchas avermelhadas pela pele.
“As três são relevantes, mas a dengue continua sendo a mais preocupante em termos de gravidade e possibilidade de resultar óbito”, comenta Garcia.
Tratamento
Para tratá-las, o coordenador explica que é preciso estudar individualmente cada caso, uma vez que não como há medicamento específico para cada doença. Dessa forma, elas têm de ser tratadas a partir dos sintomas que a pessoa apresenta.
“O tratamento das três é baseado nos sinais e sintomas. Não existe um medicamento específico para nenhuma delas”. O gestor afirma que acredita-se que a pessoa só pegue cada um desses vírus uma única vez.
Em todo o Brasil, 9.022 casos suspeitos de febre chikugunya foram notificados neste ano. Destes, 3.546 foram confirmados, sendo 119 por critério laboratorial e 3.427 por critério clínico-epidemiológico. Outros 5.201 continuam em investigação.
O Ministério da Saúde esclarece que o manejo do paciente com suspeita de chikungunya é diferenciado de acordo com a fase da doença: aguda, subaguda ou crônica.
Neste ano, conforme boletim semanal divulgado pela Sesa, 54 pessoas morreram de dengue no Ceará, enquanto 44.003 casos foram confirmados. Já de zika vírus, dez ocorrências foram registradas pelo órgão. Entretanto, a doença não é de notificação e investigação laboratorial obrigatórias.
FIQUE POR DENTRO
Febre chega a persistir por dez dias
A febre chikungunya é uma viremia que persiste por até dez dias após o surgimento das manifestações clínicas. A transmissão ocorre pela picada de fêmeas dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus infectados pelo chikungunya. Os sinais e sintomas são clinicamente parecidos com os da dengue – febre de início agudo, dores articulares e musculares, cefaleia, náusea, fadiga e exantema.
A principal manifestação clínica que as difere são as fortes dores nas articulações. Após a fase inicial, a doença pode evoluir em duas etapas subsequentes: fase subaguda e crônica. Embora o chikungunya não seja uma doença de alta letalidade, tem caráter epidêmico com elevada taxa de morbidade associada à artralgia persistente, tendo como consequência a redução da produtividade e da qualidade de vida.

