
Os moradores da cidade de Canindé, distante 115Km de Fortaleza, realizaram manifestação, na manhã de ontem, na altura do Km 335 da BR-020, na localidade de Santa Fé, entre os municípios de Caridade e Paramoti. O objetivo era chamar atenção para a falta de água na região. O protesto acabou causando um engarrafamento de 6 Km, segundo as informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
A manifestação, que levou cerca de 120 pessoas da cidade até a rodovia federal, contou com a presença de padre Ailton Costa de Campos Belos, padre Dimas Gonçalves de Paramoti, frei Pedro Junior e frei Israel Santana de Canindé e padre José Linhares de Caridade.
“É inacreditável e inaceitável que o governo se deixe surpreender pela seca no Nordeste. O fenômeno já está suficientemente estudado e é perfeitamente previsível, mas a cada seca ele se deixa surpreender”, reclamou o coordenador do Conselho de Pastoral da Paróquia de Canindé, Fábio Soares.
Enquanto alguns apoiavam a iniciativa outros ficaram irritados. Um deles foi Ivan Martins, que reside em Tauá, e que faz parte da comissão de recursos humanos do Ceará. “Vejo como legítimo movimento, mas tenho dois pontos a questionar: primeiro por que não protestam nas prefeituras; segundo, esse protesto precisa chegar às urnas”.
Uma missa celebrada por padres de Canindé, Caridade, Itapebussu, Paramoti e Campos Belos, dividiu opiniões. Alguns dos viajantes se juntaram aos manifestantes na celebração campal.
Cartazes
Agricultores com o rosto sofrido e sugado pelo tempo, como os leitos dos rios fantasmas que assombram a região. Pele e corpo ressecados, feito a terra, outrora fértil que hoje se desfaz em areia levada pelo vento, carregava um cartaz com uma frase de muita reflexão: “Um grito pela terra, um grito pela vida. O povo do sertão construindo uma saída. Que saudade dessas águas que matam nossa sede”.
Diário do Nordeste

