
A população da sede de Auiaba, localizado a 600 quilômetros da capital, passa por situação delicada em relação à qualidade da água, fato que vem ocasionando problemas de saúde. O estado é considerado de calamidade, em função do elevado número de pessoas que são acometidas de enfermidades, com problemas estomacais, diarreias e micoses, supostamente devido à ausência do tratamento.
Segundo a comunidade, o sistema de abastecimento de água está obsoleto, carecendo de reforma e ampliação. As autoridades municipais, preocupadas, pedem providências por parte da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
O Diário do Nordeste denunciou o caso em outubro do ano passado, quando a população da sede e zona rural sofria com as dificuldades com o abastecimento de água e recorriam aos carros-pipas. Na época, o então prefeito Ramílson Araújo Moraes informou que o Município havia obtido no Ministério da Saúde recursos de R$ 1,2 milhão para implantação de seis projetos de abastecimento de água em localidades da zona rural e na sede urbana. Nove meses depois, o quadro mudou apenas para a zona rural, que foi contemplada com a liberação dos recursos e os projetos executados. A sede urbana, porém, continua a enfrentar as dificuldades. O ex-prefeito conta que os recursos para a sede urbana seguem sem resolução pelo órgão.
“Desde 2008 estes projetos foram encaminhados e é absurdo ainda não ter resolução. Nós e toda a população da cidade estamos sofrendo sem água potável e muitas pessoas adoecem devido a impureza da água. Queremos solução urgente por parte da Funasa”, disse Ramiro, na condição de morador da cidade.De acordo com o secretário municipal de agricultura, Welison de Sousa, a problemática da água segue por todo esse período. “A realidade é que o sistema de água está sucateado, necessitando de reforma e ampliação faz muito tempo. Os projetos estão na Funasa desde 2008 e não são liberados. O órgão diz que os projetos estão em tramitação e análise, quando consultamos e essa análise nunca se encerra”, desabafa Sousa.
“A população não paga pela água que consome, pois não tem gestão por parte do Estado. A Prefeitura mantém com recursos próprios. Todos recebem água em casa sem pagar nada e uma água suja, com mau cheiro e sem nenhum tratamento porque a estação de tratamento não tem filtro e nem equipamento. A Funasa tem que liberar os recursos para que a estação seja reformada e ampliada e a população receba uma água de qualidade”, conta. Para a secretária municipal de saúde, Katarina Feitosa, a realidade vivida pela população é complicada e traz sérios problemas para a saúde.
“Muitos pacientes procuram diariamente o serviço público com diarreias, problemas estomacais e micoses, em decorrência da água. Os internamentos no hospital da cidade também são frequentes. “Atribuímos esses casos à péssima qualidade da água e já se tornou um problema de saúde pública”, afirmou.
Diário do Nordeste

