4,7 mil produtores pagaram e ainda não receberam o milho

5,5 mil toneladas de milho estocados no Pecém. 4,7 mil produtores já pagaram e ainda não receberam (Foto: Fábio Lima/O Povo)

Ainda não foram entregues aos produtores 5,5 mil toneladas do milho doado pelo Governo Federal ao Governo do Estado. Segundo o Centro de Abastecimento do Ceará (Ceasa), 4.744 produtores que pagaram pelo alimento ao Governo do Estado ainda não o receberam. A carga faz parte de um total de 30 mil toneladas que desembarcaram no Porto do Pecém em 12 de junho, com a promessa de que seriam entregues em 20 dias. A Ceasa afirma que nos próximos 15 dias todo o grão será distribuído.

A região Sul do Estado é a mais prejudicada com o atraso, para onde devem ir 80% do que ainda está armazenado no Pecém. “A reclamação dos agricultores dessa região é natural e aceitável. Quem vai ficando por último acaba sendo prejudicado”, destaca Oscar Saldanha, diretor financeiro da Ceasa. Um total de 502 vagões de trem fazem o transporte do milho.

De acordo com o secretário do Desenvolvimento Agrário, Nelson Martins, uma reunião entre a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) e as prefeituras das cidades que ainda não receberam o milho será marcada para esta semana. “O objetivo é agilizar esse processo de entrega aos agricultores quando o carregamento chegar. Recebemos uma quantidade de milho bem acima do que estávamos acostumados e isso demanda tempo para a distribuição”.

A Ceasa descarta a possibilidade de o milho estragar por conta do período de armazenamento. “Não existe essa possibilidade. E isso vale também para o agricultor que já recebeu. Muitos deles estão fazendo seu próprio estoque para dezembro e janeiro, período onde a seca pode se intensificar”, diz Oscar.

“Pensávamos entregar em menos tempo no nosso plano inicial. Mas, não tínhamos a noção das dificuldades que iríamos enfrentar por questões logísticas. Essa foi a primeira vez que recebemos uma quantidade tão grande”, finaliza. A Conab disse, em nota, que todo o processo de distribuição é de responsabilidade do Governo do Estado.

Milho doado em abril
O milho foi doado pela presidente Dilma Rousseff em visita ao Ceará no mês de abril. O objetivo era amenizar, em caráter emergencial, os efeitos da seca. O grão foi entregue pelo Porto do Pecém em junho pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Ele está sendo vendido para produtores do Interior do Estado cadastrados no Programa Venda em Balcão, da Conab.

A Ematerce emitiu os boletos para os produtores. A Ceasa é responsável pela distribuição. A saca de 60 quilos foi vendida por R$ 18,20 para os agricultores familiares e R$ 21 para os demais produtores rurais cadastrados. O Governo do Estado deve arrecadar entre R$ 9 milhões e R$ 10 milhões com a venda do milho doado pelo Governo Federal. Cerca de 1,5 mil toneladas não foram comercializadas e ficarão armazenadas no Pecém.

Mais milho
Mesmo com o atraso para entregar a primeira remessa de milho doado do Governo Federal, a Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA) irá solicitar, antes do final do mês de setembro, mais 30 mil toneladas do grão.

De acordo com o secretário da SDA, Nelson Martins, a ideia inicial do Governo do Estado era de que o pedido do grão fosse a cada 60 dias com remessas de 30 mil toneladas. “Já vamos solicitar o envio de mais 30 toneladas. Nossa intenção é comercializar esses cereais pelo mesmo valor”.

Martins acredita que o processo de entrega do próximo carregamento será bem mais rápido e sem problema algum para os agricultores. “A principal diferença é que para esse novo carregamento não vamos mais nos preocupar em preparar os boletos de pagamentos, providenciar caminhões e trens para o transporte e ter estrutura de armazenamento”.

Sobre o dinheiro arrecadado com a venda dos grãos doados, aproximadamente R$ 10 milhões, o secretário disse que ele será usado para cobrir as despesas com transporte, além de ser aplicado no projeto de produção de forragem para o gado e na aquisição de kits de irrigação.

“De acordo com medida provisória que foi convertida em lei, só podemos gastar 50% do arrecado com a distribuição. O restante, estamos gastando com o apoio aos pequenos agricultores”, finaliza.

Os grãos ficaram estocados em três armazéns do Pecém, dois de 3 mil m² e um de 10 mil m².

O Povo

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