
No último dia 19 de agosto, a professora Silvany Inácio de Souza, 25 anos, foi morta com tiros à queima-roupa, na Praça da Sé. O suspeito do crime é seu ex-companheiro, que foi preso minutos após o assassinato. Menos de um mês depois, no dia 16 de setembro, outra professora, Cidcleide Bezerra Campos, também foi morta, vítima de golpes de faca por seu ex-namorado, que tentou se matar após o crime.
Curiosamente, no mês de setembro último, o número de boletins de ocorrência registrado por mulheres vítimas de violência na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Crato dobrou em relação a sua média mensal, que fica entre 80 e 100 casos.
Essa realidade motivou, nesta semana, uma audiência pública para debater a criação de um juizado especial de combate à violência doméstica no Município. Dados preliminares mostram que há elevado números de casos em comparação com outras comarcas, além de um aumento desproporcional nos últimos anos.
[ads1] Em 2016, foram notificados 2.299 casos de violência contra a mulher em Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha. Ou seja, 6,26 ocorrências diárias. Estes dados estão disponíveis no caderno “Diálogos sobre as experiências no enfrentamento à violência no Cariri“, resultado do trabalho realizado por pesquisadores e a equipe de bolsistas do Observatório de Violência e Direitos Humanos, da Universidade Regional do Cariri (URCA). Porém, a partir dos cálculos epidemiológicos, percebeu-se que Crato tem uma taxa de 14,18 notificações, superando Juazeiro do Norte, que possui uma população maior de mulheres e registrou 10,18 notificações.
Já Barbalha teve 1,9 notificações. “Como o juizado de Juazeiro atende as ocorrências das três cidades, ele está abarrotado de procedimentos”, conta a delegada titular da DDM de Crato, Kamila Brito.
Mesmo Crato tendo uma população feminina que não alcança a metade da de Barbalha – 63.812 contra 131.586 -, “o número de BO’s, inquéritos instaurados e medidas protetivas é quase equivalente a da Delegacia de Juazeiro do Norte“, conta a delegada. Isso, contudo, não significa aumento da violência, mas os últimos casos de feminicídio, segundo Kamila, podem ter encorajado mais denúncias.
Machista
“Muitas vezes, as mulheres guardavam isso pra si. Acham que o homem vai mudar e acabam considerando tudo normal“, lembra a delegada, acrescentando que a maioria das ocorrências é de ameaça e crime de lesão corporal.
A professora Grayce Alencar, coordenadora do Observatório da Violência, explica que “os números não demonstram a realidade da violência no Cariri e devem ser bem mais elevados, pois, há muitos casos subnotificados“.
Fonte: Diário do Nordeste

