Cariri: O crescente aumento de pessoas com deficiência em universidades; Confira.

Educação Superior | É crescente, a cada processo seletivo, o ingresso de pessoas com algum tipo de deficiência ao ensino superior na região do Cariri. A inserção desses estudantes deve ser ampliada ainda mais por meio do sistema de cotas nas universidades públicas, enquanto instituições privadas têm estimulado o acesso aos cursos. Por outro lado, ainda é embrionária a adaptação da estrutura – física e de equipamentos – e do ensino das instituições às necessidades dos estudantes

Jeferson Araújo tem baixa visão e cursa o segundo semestre de Engenharia Civil. Ele conta que poderia estar mais adiantado nos estudos,
caso não tivesse sentido a necessidade de retirar algumas disciplinas da sua grade de estudos devido à ausência de profissionais e equipamentos adequados para sua necessidade.

“A única dificuldade são as aulas em sala de aula, que eu não consigo acompanhar totalmente e acho que não tenho muito aproveitamento devido aos professores escreverem muito na lousa, não ter audiodescrição ou alguém me auxiliando”, afirma Jeferson. “Semestre passado, não tinha impressora em Braille, não tinha braillista ou monitores, os quais lutei muito para conseguir. Na semana passada, monitores começaram a me acompanhar”.

Universidades promovem inclusão para pessoas com deficiência e estabelecem núcleo de acompanhamento.

Inclusão

Para atender a demanda de estudantes como JéÜerson, as universidades estruturam núcleos de acessibilidade. “Ele é um espaço de apoio pedagógico à pessoa com deficiência, quer seja no ingresso, quer seja depois”, explica a professora Marla Vieira, coordenadora do Núcleo de Acessibilidade da Universidade Regional do Cariri (Urca).

Entre as ações desenvolvidas pelo setor, professores e estudantes transformam em áudio os livros cobrados para o vestibular da Urca. As obras estão disponíveis no site da instituição, como forma de incentivo ao ingresso de pessoas com dificuldades visuais.

Adaptação

Outra ação desenvolvida para promover a inclusão de estudantes é a adaptação do material. “Eu entro em contato com os professores, solicito os materiais com antecedência, preparo esse material em áudio, Braille ou ampliado, e já mando para o aluno. Assim, ao chegar em sala de aula, ele já tem uma prévia do que vai acontecer”, relata o coordenador do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão da Unileão, Fábio Leonardo Salviano.

“Ano passado, formamos uma aluna cega em Fisioterapia, que foi exemplo de superação. Acredito que são poucos os que conseguem. Tentamos, ao máximo, fazer com que a inclusão aconteça na instituição, pois sabemos que na graduação a dinâmica é totalmente diferente de outras modalidades de ensino, porque exige uma autonomia do estudante”, acrescenta o coordenador.

Atualmente, 53 estudantes com algum tipo de deficiência integram o quadro de
discentes em cinco instituições de ensino superior do Cariri que forneceram dados para a produção desta matéria. Com uma comunidade superior a 30 mil surdos, a região do Cariri deverá receber o primeiro curso de Língua Brasileira de Sinais (Libras) do interior do Ceará, a ser mantido pela Universidade Federal do Cariri.

Fonte: Cariri Noticias

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