
Localizado às margens da BR 116, o sítio Nazaré é a mais recente descoberta arqueológica da Região do Cariri no vale leste da Chapada do Araripe. A descoberta consiste em um sítio de pinturas rupestres, localizadas nas paredes rochosas de um riacho, que forma um cânion em meio a vegetação seca da caatinga, provindo da nascente que deságua no açude de mesmo nome. Pretende-se inserir os registros encontrados no contexto de outras áreas já pesquisadas, tendo como base, os sítios arqueológicos já estudados nos arredores da Chapada do Araripe (Limaverde, 2006).
Em conversa com moradores da localidade, alguns relataram não conhecer aquelas pinturas, outros já ouviram falar mas não sabem onde ficam e pouquíssimas pessoas conhecem o local, pois o mesmo é de difícil acesso ficando por entre pedras e vegetação fechada onde esta encobre superficialmente o cânion, além da quantidade de vespas e cobras que habitam o local.
Em relação ao nome da localidade, o Sr. Antônio Leite Morais, 58 anos, agricultor, informou-nos que “naquele tempo, havia muitos descendentes de Nossa Senhora dos Remédios, e a partir dessa crença ergueram uma capela e a batizaram como Nazaré.”
As pinturas apresentam-se bem preservadas em um abrigo com extensão de aproximadamente 8m de comprimento, no qual deste total, 5m são de pinturas. Dispõe de formas geométricas com pontos e alguns outros traços separados e outros curvos. Sendo até o momento o maior sítio de pinturas do município de Milagres-Ce.
As pinturas e gravuras rupestres são então estudadas com a finalidade de poder caracterizar culturalmente as etnias pré-históricas que as realizaram, a partir da reconstituição de um procedimento gráfico de comunicação que faz parte dos respectivos sistemas de comunicação social (Fumdham, 2006).
Em caminhada ao norte do local onde se encontram as pinturas, um pouco mais distante, há um lugar bastante conhecido por moradores e banhistas, que se chama Poço do Dinheiro. Esse lugar foi produzido pela natureza com o passar das águas ao longo do tempo, formaram-se grandes poças d’água nas rochas, onde nestas ficam armazenada grandes quantidades de água, mesmo em períodos de seca.
A denominação poço do dinheiro, surgiu a partir de um senhor que habitava aquela região, que segundo relato do Sr. José Adailton F. de Lima, 40 anos, agricultor morador do sítio Nazaré, “antigamente, aqui no Nazaré, morava o coronel e sua esposa, eles eram muito ricos, se chamavam Coronel Domingos e Dona Prechedes, ele era um grande fazendeiro da região. Por serem muito ricos, os cangaceiros rodavam aquela região atrás do seu dinheiro. O coronel resolveu então enterrar seu dinheiro, e o local foi onde hoje é conhecido como poço do dinheiro. Com o passar do tempo, o Coronel faleceu. A sua esposa continuou a ir enterrar o dinheiro que atualmente é conhecido como botija. Certo dia quando ela foi enterrar mais dinheiro, um grande buraco se abriu e ela caiu dentro. Depois desse dia ninguém nunca mais ouviu falar dela.”
O lugar é muito preservado, sendo considerados por muitos um santuário da natureza, cercado de mistérios. Alguns moradores contam as histórias conhecidas como “causos”, no qual em uma dessas lendas, dizem: “…quem for à meia noite ao poço do dinheiro, encontrará com aparição de Dona Prechedes.”
Além de todo trabalho de levantamento arqueológico, vale salientar que educação patrimonial é um dos temas mais importantes a ser tratado, pois é para esse aspecto que se volta todo sentido e estrutura deste trabalho. Segundo HORTA, Maria de Lourdes Parreiras; TVE Brasil (2005): “Trata-se de um processo permanente e sistemático de trabalho educacional centrado no patrimônio cultural como fonte primária de conhecimento e enriquecimento individual e coletivo”. Esta ação terá o preceito de elucidar a importância das pinturas rupestres para a nossa região, tanto para os moradores do local, como para a população em geral para que aufira-se uma boa aceitação na comunidade ao inserir este trabalho.
Professor Jonas Fernandes








