Arqueologia em Milagres [Parte 3]: Sítio Veneza

(Fotos: Acervo EEEP Ana Zélia da Fonseca)

O sítio em questão, após a realização de pesquisas de campo realizada pelos alunos da E.E.E.P. Irmã Ana Zélia da Fonseca, tem sua denominação relacionada à sua localização próximo ao riacho dos porcos, onde nos períodos chuvosos o nível do rio eleva-se alagando grandes área de terras planas, no qual moradores em tempos mais antigos, utilizavam canoas para fazer a travessia do rio ou mesmo ir de uma residência a outra, comparando-se assim tal fato à cidade de Veneza na Itália.

Em virtude das terras férteis e grandes proporções de água, esse lugar demonstrava, certamente, ser propício a habitação humana. Lajeiros constituem as paisagens juntamente a vegetação caatinga, em que a sua qualidade de mata branca é modificada com “vales verdes” impostos pela abundância de água na localidade. Certamente, esses “vales verdes” atraiam possíveis povos que por ali passaram ou abrigaram-se nos lajeiros, pois essa hipótese de habitação fica concretizada pelo achado de uma machadinha de pedra no sítio onde próximo a esta, em uma grande rocha arenítica no chão, existe um provável registro rupestre em gravura, que está pra ser analisado com maior cautela.

Os estudos contemporâneos sobre a arte rupestre no nordeste brasileiro tentam, em última instância, segregar identidades gráficas, regionais ou locais, através da elaboração de perfis gráficos compatíveis entre a crono-estilística e o registro arqueológico. O objetivo é observar o registro arqueológico a partir de quatro dimensões: tempo, espaço, unidade posicional e tipologia, para favorecer a elaboração de um contexto arqueológico mais amplo. (Hodder, 1986).

Além do sítio apresentar vestígios arqueológicos pré-histórico, o mesmo detém vestígios arqueológicos históricos, no qual de acordo com a professora, atualmente aposentada e residente no sítio Veneza, Maria Ivana Paula Leite Morais, 51 anos, “essas terras pertenciam ao meu sogro, conhecido como Sr. Morais, um homem muito respeitado e admirado no Município de Milagres. Antigamente o mesmo era proprietário de um engenho no qual produzia para o comércio do município, além de criar gado e ter alto investimento na agricultura. Nesse engenho, que atualmente encontra-se desativado e em ruinas ainda restam alguns materiais da época como as telhas que cobriam o engenho e uma caldeira em ferro.”

Sabendo da importância desses achados arqueológicos em suas terras, a Sra. Ivana, com o auxílio da equipe de pesquisa do mapeamento arqueológico, despertou o interesse de preservar mais ainda aquele patrimônio, que além de fazer parte da história de seus familiares, contribui imensamente para enriquecer a história do município associando aos povos que em tempos pretéritos habitavam a região.

Professor Jonas Fernandes

A série de reportagens “ARQUEOLOGIA EM MILAGRES” é uma parceria do Portal OKariri com a EEEP Ana Zélia da Fonseca e é publicada sempre aos domingos.

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