
Tal comunidade, localiza-se ao norte da sede do município de Milagres. De acordo com relato dos moradores, a região recebe este nome de Olho D’água da Igreja, em virtude da construção de um altar de pedra para o coração de Jesus, localizado próximo a uma nascente, do qual por ser um lugar castigado pela seca, esse “olho d’água nunca havia secado, suprindo assim a necessidade dos primeiros habitantes que ali chegaram mesmo em tempo de forte seca. Posteriormente, construiu-se para esse altar uma capela, onde os moradores faziam suas comemorações religiosas e agradecimentos pela água que não lhes faltava, por meio de rezas, novenas entre outros eventos de cunho religioso.
De acordo com o relato do Sr. Pedro Honório Rodrigues, 78 anos, o mesmo chegou na localidade por volta de 1940, onde toda sua família arranjava-se por uma longa propriedade de terra herdadas de seus familiares, onde hoje prevalece ruínas de edificações antigas construídas em pedra.
Quando questionado sobre os vestígios arqueológicos e povos antepassados que ali passaram ou viveram, o Sr. Pedro Honório informou que ouvia histórias de seu avô, onde naquele lugar haviam índios valentes que vivam da caça e agricultura que as terras ofereciam, onde havia um senhor que tinha muita afinidade com esse grupo, que se chamava José Pequeno. Afirmou também que, “no período de plantação quando os homens se reuniam para arar o campo, nesse serviço eles encontravam grandes panelas de barro, que os guardavam aos “pés da cerca”, onde no retorno pra casa, quebravam em vários pedaços e os deixava na roça”. Além das panelas, eles encontraram também “bolos” de argila com marcas de dedos.
Pela sua localização geográfica, o sítio Olho D’água da Igreja, localiza-se precisamente entre o sítio arqueológico Capim pedra Grande e Sítio Nazaré, formando assim uma ligação na região, em que comparando – se com trabalhos realizados na região do Cariri, pode-se identificar essa ligação Segundo Limaverde (2007): “observamos que pode tratar-se de um corredor ou entroncamento cultural, uma via de passagem entre o Seridó, o vale do São Francisco e o Piauí, ligando-se ao Araripe”. Correlacionando os sítios arqueológicos do município de Milagres, percebe-se claramente essa ligação, porém não se sabe ao certo o sentido.
A série de reportagens “ARQUEOLOGIA EM MILAGRES” é uma parceria do Portal OKariri com a EEEP Ana Zélia da Fonseca e é publicada sempre aos domingos.
Professor Jonas Fernandes


