Sessão presidida por pastor é suspensa por protestos

Feliciano vem sendo contestado desde que foi eleito presidente (FOTO: ALEXANDRA MARTINS/ABR)

O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), fez um apelo ontem ao líder do PSC, André Moura (SE), para que o deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) renuncie ao cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos da Casa. O líder do PSC ficou de conversar com Feliciano e discutir a situação do deputado que vem sendo alvo de protestos pelo país em razão de declarações consideradas homofóbicas e racistas.

Ontem, em pouco menos de uma hora, a sessão da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara foi suspensa devido a protestos de movimentos sociais contra o deputado e pastor. Marcada inicialmente para, em audiência pública, discutir atenção psicossocial a portadores de doenças mentais, a sessão foi inviabilizada por gritos de “Feliciano não me representa” e “fora racista”. Cerca de 50 manifestantes, com faixas e cartazes, ocuparam o plenário da comissão. “Hoje eu vou falar uma vez só: se atrapalharem, a Polícia Legislativa vai ter que agir”, disse o pastor, antes de deixar o colegiado. Feliciano abriu a reunião, convocou os convidados para a audiência e deixou o plenário sob vaias. A prática é comum em reuniões do tipo. Quem assumiu o comando da comissão foi o deputado Henrique Afonso (PV-AC), autor do requerimento para a convocação da audiência pública. Um dos convidados, Aldo Zaiden, do Ministério da Saúde, deixou a audiência. Houve também novo bate-boca entre manifestantes e o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).

Frente parlamentar
Os parlamentares insatisfeitos com a eleição de Marco Feliciano para a presidência da Comissão aproveitaram para lançar uma frente parlamentar com o mesmo tema. “O objetivo é assegurar um espaço para discutir os direitos humanos na perspectiva das minorias. Não queremos concorrer com a comissão, somente garantir espaço, já que o colegiado foi desvirtuado com a presença do pastor Marco Feliciano”, disse o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), que é um dos 11 coordenadores da nova frente.

O presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), já vinha manifestado a colegas insatisfação com a permanência de Feliciano no comando da comissão. Alves tem dito, contudo, que não há margem regimental, como uma intervenção direta, para tirá-lo da presidência. Em conversa com o líder do PSC, deputado André Moura (SE), o presidente da Câmara teria sido informado de que Feliciano apenas abriria os trabalhos da comissão e se retiraria. Alves tem recomendado que o PSC atue com discrição. Na avaliação de interlocutores, o pemedebista aguarda uma bala de prata para que a presidência possa agir de modo mais enfático.

Os parlamentares insatisfeitos querem ainda que a Polícia Federal apure o eventual elo de Feliciano com a produção de um vídeo, divulgado na última segunda-feira pelo seu perfil no Twitter e publicado no canal do Youtube da empresa de seu assessor. O vídeo chama de “rituais macabros” os atos contra a indicação do pastor para o cargo e questiona a conduta de seus opositores.

O Povo

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