O empresário Ricardo Andrade Magro, dono do Grupo Refit, é alvo de operações da Polícia Federal após bloqueio de R$ 52 bilhões em ativos. Foragido desde 2018, Magro reside nos EUA e é investigado por sonegação bilionária e supostas ligações com o crime organizado no setor de combustíveis.
Qual é a origem da dívida bilionária de Ricardo Magro?
A dívida de R$ 52 bilhões está concentrada principalmente na Refit, antiga refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro. Segundo a Justiça, o grupo empresaria utilizou uma estrutura complexa com empresas fora do Brasil (offshores) e fundos de investimento para sonegar impostos, especialmente o ICMS em São Paulo e no Rio, somando mais de R$ 24 bilhões apenas deste tributo estadual.
Por que o empresário é considerado foragido internacional?
Ricardo Magro não retorna ao Brasil oficialmente desde 2018. Ele possui contra si uma Difusão Vermelha da Interpol, que é um alerta global para localização e prisão de fugitivos. O empresário vive atualmente nos Estados Unidos, e o governo brasileiro já solicitou cooperação internacional para tentar trazê-lo de volta ao país para prestar esclarecimentos.
Como políticos foram envolvidos nas investigações do grupo?
Investigadores apontam que o grupo construiu uma rede de proteção política. O ex-governador fluminense Cláudio Castro é investigado por sancionar uma lei que facilitava o parcelamento de dívidas da refinaria com descontos de até 95%. Já o senador Ciro Nogueira é citado devido a emendas que dificultariam a punição de grandes devedores do setor e por pagamentos de R$ 14,2 milhões feitos pela Refit a uma empresa de sua família.
O que é um devedor contumaz no setor de combustíveis?
Devedor contumaz é aquele que faz do não pagamento de tributos uma estratégia de negócio. Ao deixar de pagar impostos propositalmente, a empresa consegue vender o combustível por um preço muito menor que os concorrentes éticos, dominando o mercado de forma desleal. O senador Ciro Nogueira tentou mudar regras sobre essa classificação, o que gerou as chamadas ‘emendas Refit’.
Existe ligação entre o empresário e o crime organizado?
Essa é uma das hipóteses investigadas pela Polícia Federal na operação Carbono Oculto. A suspeita é de que o crime organizado, especificamente o PCC, esteja avançando sobre o setor de combustíveis para lavar dinheiro. Ricardo Magro nega as acusações e afirma ser um combatente contra a infiltração de criminosos no setor.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

