Pirenópolis fortalece turismo com cachoeiras, trilhas e natureza

Fundada no século XVIII por bandeirantes portugueses e paulistas, Pirenópolis, em Goiás, preserva marcas do ciclo do ouro e mantém um dos conjuntos históricos mais conhecidos do Centro-Oeste brasileiro. O povoado surgiu em 7 de outubro de 1727, após os exploradores encontrarem ouro às margens do Rio das Almas.

A descoberta impulsionou o avanço da mineração e levou à ocupação das áreas próximas às mais de 80 quedas d’água que cortam essa região do cerrado goiano. O antigo povoado de Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte transformou-se em um importante acampamento de garimpeiros.

“Há muitos sítios arqueológicos ainda existentes das ruínas da mineração e resquícios de estrada colonial. O garimpo começou em 1727 no Rio das Almas e se estendeu para outros sítios nas proximidades, tendo atingido seu auge na década de 1750. Muito ouro saiu de Meia Ponte para o rei português”, conta o pesquisador Adriano Curado, que há 30 anos estuda a história da região.

No centro do município, como marco da era do ouro, a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário resiste há quase 300 anos. O templo foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1941. A medida marcou uma das primeiras ações de preservação do instituto em Goiás.

Pirenópolis acumula mais de 296 anos de história e cresceu em torno da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário.Pirenópolis acumula cerca de 300 anos de história e cresceu em torno da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário. (Foto: Álvaro Gaspre/Prefeitura de Pirenópolis)

De acordo com o pesquisador, o Museu das Lavras de Ouro, em uma fazenda centenária, preserva ruínas de garimpos, canais de lavagem de ouro feitos de pedra, ferramentas originais do século XVIII e trilhas que margeiam o Rio das Almas, onde a mineração ocorria.

VEJA TAMBÉM:

Cachoeiras históricas de Pirenópolis fortalecem o ecoturismo em Goiás

Além da herança histórica, Pirenópolis consolidou o ecoturismo como uma das principais forças da economia local. A cidade reúne mais de 80 cachoeiras catalogadas em propriedades particulares e áreas de preservação ambiental. Entre os atrativos mais procurados estão:

  • a Cachoeira do Rosário,
  • a Cachoeira do Abade,
  • a Cachoeira Santa Maria,
  • o Parque Estadual da Serra dos Pireneus.

“Em Pirenópolis, o mais procurado são as cachoeiras e os atrativos de ecoturismo. Em determinadas épocas, como maio, junho e julho, cresce também a procura pelo pôr do sol. A cidade oferece diversas atrações, com experiências gastronômicas, restaurantes para vários gostos e bolsos, além das atividades nas fazendas”, enumera o guia de turismo André Castro.

Cachoeira Meia Lua reúne poços naturais e fácil acesso.Cachoeira Meia Lua reúne poços naturais e fácil acesso. (Foto: Álvaro Gaspre/Prefeitura de Pirenópolis)

A Cachoeira do Rosário concentra uma das maiores quedas livres da região, com 42 metros de altura. A água desce sobre uma grande formação rochosa e forma um cenário cercado por cerrado rupestre, campos, várzeas, mata de galeria e áreas preservadas de fauna e flora, segundo o guia de turismo.

André Castro destaca a facilidade de acesso como um dos diferenciais da Cachoeira do Rosário. “A estrada costuma ser mais bem cuidada do que em outros atrativos. O ambiente é muito silencioso e mantém forte contato com a natureza. O acesso é fácil. Eu já levei crianças de colo e também um casal de idosos, com 82 e 86 anos. A piscina natural agrada bastante os visitantes”, afirma.

VEJA TAMBÉM:

Pirenópolis atrai com trilhas, cachoeiras e gastronomia

Segundo o guia turístico, propriedades rurais ampliaram a diversidade de atrações turísticas em Pirenópolis. “A Fazenda Vagafogo oferece trilha, cachoeira e uma ótima experiência gastronômica. Já a Fazenda Babilônia recebe visitantes em um casarão com mais de 200 anos e encerra o passeio com um café sertanejo, com a culinária tradicional goiana”, relata o guia.

As trilhas atraem turistas de diferentes regiões do país. Os percursos variam conforme o atrativo escolhido. Na Cachoeira Bonsucesso, o trajeto possui cerca de 1,2 quilômetro. Já na Cachoeira dos Dragões, o caminho chega a aproximadamente 4,5 quilômetros.

O ponto mais alto da região fica no Pico dos Pireneus, dentro do Parque Estadual dos Pireneus, a cerca de 1,3 mil metros de altitude. O local atrai visitantes interessados na contemplação da natureza e oferece vista para cidades como Goiânia, Brasília e Anápolis.

Cachoeira do Rosário reúne uma das maiores quedas livres de Pirenópolis, com 42 metros de altura.Cachoeira do Rosário reúne uma das maiores quedas livres de Pirenópolis, com 42 metros de altura. (Foto: Álvaro Gaspre/Prefeitura de Pirenópolis)

Pirenópolis oferece turismo com altitudes acima de mil metros

Outro atrativo bastante procurado é o Mirante do Ventilador, localizado a cerca de nove quilômetros do centro da cidade. O ponto fica a mil metros de altitude, na Rodovia dos Pireneus, e propicia ampla vista das paisagens naturais da região.

Os voos de balão também ganharam espaço entre os turistas nos últimos anos. A experiência dura, em média, 45 minutos e pode atingir até mil metros de altura. As decolagens costumam ocorrer nas primeiras horas da manhã, período de clima mais estável e céu aberto.

Cachoeira Renascer destaca-se como um refúgio natural com águas cristalinas.Cachoeira Renascer destaca-se como um refúgio natural com águas cristalinas. (Foto: Álvaro Gaspre/Prefeitura de Pirenópolis)

Castro destaca o movimento constante de visitantes ao longo do calendário. “Pirenópolis possui períodos muito curtos de baixa temporada. Janeiro e julho sempre lotam. Os meses de maio, junho, agosto e setembro também registram grande movimento, principalmente pelas cachoeiras, pelos eventos e pelo clima mais seco”, afirma.

VEJA TAMBÉM:

Alta procura preocupa setor em Pirenópolis

O crescimento acelerado do turismo também preocupa representantes do setor, de acordo com a Associação dos Atrativos Turísticos de Pirenópolis e Região da Serra dos Pireneus. O presidente da associação, Uira Ayer, afirma que a cidade de 26 mil habitantes enfrenta desafios ligados à capacidade de atendimento.

De acordo com a prefeitura de Pirenópolis, o número de visitantes por ano chega a 1,3 milhão. “Esse crescimento nos assusta. Precisamos entender a capacidade de carga da cidade e dos atrativos. A preocupação não está em impedir o crescimento, mas em garantir qualidade no atendimento para todos que visitam Pirenópolis”, afirma.

Segundo ele, o município passou a oferecer atrações para diferentes perfis de turistas, sem planejamento conjunto entre os setores envolvidos. “Hoje a cidade possui atrações para todos os públicos. Temos vinícolas, balneários e experiências variadas. Cada empreendimento encontrou o próprio público e cresceu. Agora precisamos organizar melhor esse desenvolvimento”, explica.

Uira Ayer também defende um planejamento integrado entre empresários e poder público. “Não precisamos apenas aumentar taxas para cobrar mais caro. Precisamos entender o momento da cidade e melhorar a experiência do turista, para que ele volte e não leve uma imagem negativa de Pirenópolis. Esse trabalho exige união entre atrativos, bares, restaurantes, trade turístico e prefeitura”, defende.

Veja a matéria completa aqui!

- Publicidade - spot_img

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui