A Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance 82 nesta segunda-feira, dia 10 de agosto de 2026, para investigar investimentos irregulares do fundo de previdência municipal de Maceió no Banco Master. Com autorização do STF, foram cumpridos mandados de busca em Alagoas e São Paulo. A suspeita é de que R$ 97 milhões foram alocados em papéis de alto risco, ignorando normas de segurança e governança.
O que motivou a operação da Polícia Federal e do STF?
A investigação começou após indícios de que o instituto de previdência de Maceió, o Iprev, direcionou recursos públicos para investimentos perigosos de forma proposital. O ministro André Mendonça, do STF, autorizou buscas para apurar se houve a supressão de etapas de controle para favorecer o Banco Master. A PF aponta que os gestores ignoraram estudos independentes e aceitaram propostas da própria instituição beneficiada. O caso é um desdobramento de outra operação que apura fraudes financeiras bilionárias ligadas a um ex-banqueiro, sugerindo um esquema maior de corrupção.
Quais foram as irregularidades encontradas nos investimentos?
A PF identificou cinco problemas graves na gestão do dinheiro. Primeiro, a política interna do Iprev proibia exposição a ativos bancários, mas os gestores aplicaram 20% de todo o patrimônio no Banco Master. Além disso, a instituição não estava habilitada pelo Ministério da Previdência para receber esses recursos na época do primeiro aporte. Outro ponto crítico foi a falta de transparência: uma decisão importante foi assinada por apenas quatro pessoas, quando a lei exigia no mínimo sete. Basicamente, o dinheiro dos aposentados foi colocado em risco sem as garantias legais necessárias.
O que são os papéis de alto risco citados na investigação?
Os investimentos foram feitos em Letras Financeiras subordinadas. Para explicar de um jeito simples, é como emprestar dinheiro para um banco aceitando ficar no fim da fila para receber de volta caso o banco quebre ou tenha problemas financeiros. Esses títulos oferecem juros maiores para atrair investidores justamente porque o risco de perder tudo é muito alto. A investigação mostra que o Iprev de Maceió aplicou R$ 80 milhões em 2023 e mais R$ 17 milhões em 2024 nesses papéis, sem analisar se o Banco Master tinha solidez para garantir que o pagamento seria honrado no futuro.
Quem são os envolvidos e o que diz a prefeitura de Maceió?
Os alvos incluem o ex-presidente do Iprev, Ronnie Reyner Teixeira, o atual secretário municipal da Fazenda, João Felipe Alves, e integrantes do comitê de investimentos e de uma consultoria financeira. Apesar das buscas, o ministro André Mendonça negou o afastamento dos investigados de seus cargos por entender que não há risco imediato de interferência. Em nota, a Maceió Previdência afirmou que colabora com as autoridades e que os investimentos seguiram os ritos legais. O órgão destacou que o patrimônio total do fundo cresceu nos últimos anos, garantindo os pagamentos atuais.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

