Os candidatos Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB) vão disputar o segundo turno pelo governo do Espírito Santo nas eleições 2026. A segunda rodada do pleito está marcada para 25 de outubro e colocará frente a frente o governador, que busca a reeleição, e o ex-prefeito de Vitória.
Na votação deste domingo (4), com 100% das seções eleitorais totalizadas, Lorenzo Pazolini registrou 49,65% (1.048.663 votos), enquanto Ricardo Ferraço teve 34,06% dos votos válidos (719.397 votos).
Em seguida, veio Helder Salomão (PT), com 15,32% (323.483 mil votos). Mais atrás, ficaram Breno Barcelos (Missão), com 0,85% (17.988 votos); e Rafael Demuner (UP), com 0,13% (2.670 votos).
Com o resultado das urnas, Ferraço leva para o segundo turno a estrutura política construída durante o período em que esteve à frente do governo estadual e o apoio de uma ampla aliança partidária. Pazolini, por sua vez, tenta transformar a votação obtida em Vitória e a aproximação com o eleitorado de direita em uma candidatura competitiva em todo o estado.
Ferraço assumiu o governo em abril, depois da renúncia de Renato Casagrande (PSB), que deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado. O emedebista era vice-governador e passou a comandar o Palácio Anchieta antes de iniciar a campanha pela reeleição.
Pazolini deixou a prefeitura de Vitória no início de abril para disputar o governo estadual. Reeleito prefeito da capital em 2024, ele passou os meses seguintes ampliando a articulação política no interior e consolidando a candidatura do Republicanos.
Ferraço manteve vantagem nas pesquisas eleitorais ao longo da campanha
Ricardo Ferraço começou o ano entre os principais nomes da disputa e manteve presença constante na liderança dos levantamentos. Em julho, o Real Time Big Data apontou Ferraço com 11 pontos de vantagem sobre Pazolini em dois cenários de primeiro turno.
Um mês depois, pela Quaest, o governador aparecia com 35%, contra 28% do ex-prefeito de Vitória. A distância variou de acordo com o instituto. O Paraná Pesquisas, também em agosto, registrava Pazolini com 39% e Ferraço com 38,2%, em empate técnico dentro da margem de erro. Já a AtlasIntel mostrava então o republicano na frente, com 41%, contra 28,7% do emedebista.
Na pesquisa do Real Time Big Data publicada em 9 de setembro, Ferraço voltou a ampliar a vantagem: aparecia com 43% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Pazolini. No segundo turno, o levantamento apontava 49% para o governador e 38% para o ex-prefeito.
Ferraço apostou na continuidade do governo Casagrande
A campanha de Ferraço foi construída em torno da continuidade da gestão iniciada por Renato Casagrande. Ao assumir o governo em abril, o emedebista passou a apresentar a própria candidatura como uma sequência do trabalho desenvolvido pelo antecessor, de quem foi vice-governador.
Durante a campanha, Ferraço evitou nacionalizar a disputa e procurou não se posicionar diretamente na polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O governador também contou com uma ampla rede de apoios municipais.
Levantamento publicado pelo jornal A Gazeta em setembro apontou que 65 dos 78 prefeitos do Espírito Santo declararam apoio à candidatura dele. Pazolini aparecia com dois apoios declarados no levantamento.
A campanha de Ferraço também entrou em disputas jurídicas com a adversária. Em setembro, a Justiça Eleitoral determinou, em caráter liminar, a suspensão de propagandas do governador na televisão que não mencionavam o candidato a vice, Camillo Neves (PP). A representação foi apresentada pela coligação de Pazolini.
Pazolini buscou representar a direita no Espírito Santo
Pazolini construiu a candidatura a partir da experiência como prefeito de Vitória e de um discurso de renovação política. Na convenção que oficializou o nome dele, a campanha passou a enfatizar temas como renovação, combate às elites políticas e a ideia de levar para o estado políticas implementadas na capital.
O republicano também aproximou a candidatura do campo da direita. Em julho, declarou apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. Dias depois, Flávio participou de um evento do PL no Espírito Santo e declarou apoio a Pazolini para o governo estadual.
A aproximação resultou na composição da chapa com Eliane Leal (PL) como candidata a vice-governadora. A escolha consolidou a aliança entre Republicanos e PL no estado. Durante a campanha, Pazolini também procurou apresentar resultados de sua gestão na capital como referência para o governo estadual.
A disputa entre as duas campanhas também chegou à Justiça Eleitoral. Em setembro, o TRE-ES determinou a suspensão de uma propaganda de Pazolini no rádio por não identificar a coligação e os partidos que compunham a chapa. A representação foi apresentada pela coligação de Ferraço.



