Massacre de Suzano: Após 1 ano, MP investiga grupo criminoso suspeito de idealizar, estimular e comemorar massacre de Suzano na ‘deep web’

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Mensagem em fórum na deep web — Foto: TV Globo/Reprodução

Após um ano de investigações, o Ministério Público (MP) identificou suspeitos de integrar o grupo criminoso investigado por usar a ‘deep web‘ para idealizar o massacre de Suzano, estimular os assassinos e ainda comemorar a chacina cometida na cidade da Grande São Paulo.

A ‘deep web’ é um segmento da internet que não pode ser encontrado por buscadores como o Google e favorece o surgimento de redes e sites anônimos.

Em 13 de março de 2019, dois criminosos armados, com 17 e 25 anos de idade, mataram oito pessoas, sendo uma delas em uma loja de carros e mais sete na Escola Estadual Professor Raul Brasil. Outras 11 vítimas ficaram feridas, uma delas em estado grave.

Os assassinos se suicidaram depois. Em seguida, foram exaltados por extremistas em um fórum da ‘deep web’.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado que investiga delitos virtuais, o Cyber Gaeco do MP, localizou cerca de dez dessas pessoas nas cidades de São Paulo, Franca, interior paulista, e Rio de Janeiro.

Para o MP, uma organização criminosa na internet está por trás da matança em Suzano. A promotoria já sabe que os assassinos integravam essa quadrilha virtual.

Entre o final do ano passado e início deste ano foram realizadas duas fases da Operação Iluminati com a participação do Ministério Público e da polícia. A ação visava identificar integrantes do grupo que é investigado por ajudar os assassinos a planejar o massacre e incitá-los a cometer os homicídios.

Computadores usados pelos dois criminosos foram apreendidos pela Polícia Civil, que atua em conjunto com o Ministério Público. Segundo investigadores, eles acessaram a ‘deep web’ e buscaram informações sobre massacres cometidos em escolas americanas. Além disso, foram recolhidos cadernos com anotações deixados por eles no carro alugado e usado no crime.

“Muito obrigado pelos conselhos e orientações… esperamos não cometer esse ato em vão”, escreveu um dos assassinos dois dias antes do massacre em Suzano, no fórum na ‘deep web’.

Alguns suspeitos de integrar o grupo virtual chegaram a ser detidos, mas depois acabaram liberados. Esses alvos identificados são investigados pelo crime de organização criminosa, mas podem responder também por participação nos assassinatos.

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Flores na Escola Raul Brasil, palco de massacre em Suzano no dia 13 de março — Foto: Maiara Barbosa/G1

“O ataque, que passou a ser conhecido como “Massacre de Suzano”, foi idealizado e estimulado por um “chan” da darkweb chamado Dogolachan”, informou o MP em nota de janeiro deste ano.

O Cyber Gaeco do MP ainda não ofereceu denúncia à Justiça contra os investigados.

No massacre de Suzano, os assassinos eram ex-alunos da escola e seriam vítimas de bullying. Um dos mortos era tio de um dos criminosos.

MP apura se alguma organização criminosa colaborou para “eventual cometimento de crimes relacionados a terrorismo doméstico, como apontam os primeiros indícios”. O termo terrorismo doméstico é usado para definir atentados cometidos por cidadãos contra o seu próprio povo ou governo.

Perícias nos computadores usados pelos assassinos poderão informar com quem eles se relacionavam e conversavam. Os dois também frequentavam uma lan house onde jogavam games de tiros.

Um dos assassinos, chegou a postar fotos na internet momentos antes do crime. Ele aparece armado e com uma máscara de caveira numa das imagens.

Fonte: G1

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