Manifestações prosseguem em diversas cidades

Milhares de manifestantes se reuniram em frente à Prefeitura de Porto Alegre para mais um protesto (FOTO: AGÊNCIA ESTADO)

Em mais um dia de manifestações no Rio, um grupo de aproximadamente 2.000 pessoas ocupou todas as pistas da Avenida Rio Branco, no Centro, às 17h30 de ontem.

O grupo, formado por ex-pensionistas da Varig, críticos do governo e da PEC 37 (que limita o poder de investigação do Ministério Público), carregava cartazes com frases como “Fora Dilma” e “Fora Cabral”. O movimento não conta com a participação dos ativistas do Fórum contra o aumento de passagem, que vem mobilizando um grande número de pessoas nas últimas manifestações.

Ao menos 20 manifestantes continuavam acampados ontem defronte à casa do governador do Rio, no Leblon, zona sul carioca. O grupo diz que só levantará o acampamento se houver uma conversa com Sérgio Cabral sobre suas reivindicações na área da saúde e educação.

A maioria são jovens na faixa etária de 20 a 25 anos. Alguns tiveram que deixar o acampamento para trabalhar e só retornarão à noite para dormir no local. Outros são universitários ou desempregados. Eles permanecem em quatro barracas montadas na esquina da rua Aristides Espínola – bloqueada pela PM – com a avenida Delfim Moreira (na pista sentido São Conrado).

Rodovias

Protestos interditaram o trânsito na tarde de ontem em quatro rodovias federais e em duas estaduais na região metropolitana de Belo Horizonte. Ao final do dia, todas as estradas na região metropolitana de BH tiveram os trechos liberados pelos manifestantes-algumas passaram cerca de dez horas bloqueadas.

No começo da noite, contudo, a Polícia Rodoviária Federal informou que na BR-116, em Caratinga, 500 pessoas interditaram uma ponte. Na BR-381, em Governador Valadares, cerca 800 pessoas também interditavam uma ponte. As duas cidades estão no leste mineiro. Em nota, o governo mineiro afirmou ter determinado seis medidas para melhorar o transporte metropolitano em Ribeirão das Neves.

Apesar da chuva e segurança reforçada, Porto Alegre teve nova manifestação ontem à noite em frente à Prefeitura. Outras cidades que tiveram protestos ontem: Campinas, São Paulo e Brasília. Os atos acontecem contra a PEC 37 (que limita o poder de investigação do Ministério Público) e pedem melhorias no transporte público, entre outras reivindicações.

Polícia não iniciou investigações

Rio de Janeiro. Uma semana após a manifestação que arrastou cem mil pessoas pela Avenida Rio Branco, mas que terminou em vandalismo na Assembleia Legislativa, a Polícia Militar (PM) sequer iniciou uma investigação sobre as denúncias de excessos cometidos por policiais do Batalhão de Choque.

Imagens publicadas pela imprensa mostram policiais atirando para o alto com um fuzil e uma pistola. Na última sexta-feira, um dia após o protesto do qual participaram 300 mil manifestantes e que terminou em pancadaria em frente à sede da Prefeitura, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, prometeu que denúncias de uso excessivo de força por PMs seriam investigadas.

Na ocasião, funcionários e pacientes do Hospital Municipal Souza Aguiar reclamaram que policiais usaram bombas de gás de pimenta nas proximidades da unidade. A fumaça teria subido até o sétimo andar, onde fica a pediatria. A PM informou que ainda está em análise um “estudo de caso”, e que nada foi encaminhado à Corregedoria para ser apurado oficialmente.

Enquanto isso, o Ministério Público (MP) abriu dois inquéritos para investigar a atuação da PM. Um procedimento vai apurar, criminalmente, responsabilidades de policiais, individualmente. Um inquérito civil investigará a regularidade dos procedimentos da corporação em ações de controle de distúrbios. “Estamos compilando todas as denúncias de abuso, que vêm da imprensa, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Defensoria Pública e de outros órgãos. Oficiamos à Corregedoria da PM pedindo que nos remeta qualquer procedimento sobre esse tema”, disse o promotor Paulo Roberto Mello Cunha Júnior, que preside a investigação criminal.

Diário do Nordeste

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