
Um índio da etnia terena foi baleado nas costas na tarde de ontem, perto de Sidrolândia (MS), na mesma região onde um indígena foi morto na semana passada durante confronto com policiais federais e militares. Josiel Gabriel Alves, 34, foi atingido na área da fazenda São Sebastião. Parentes afirmaram a funcionários do hospital Elmíria Barbosa que o disparo veio “do nada”, sem conflito prévio.
Os índios haviam invadido a fazenda ontem, segundo o advogado Newley Amarilha, que representa produtores locais e o dono da área. O advogado diz ter orientado o dono da fazenda, cujo nome não revelou, a deixar a área sem oferecer resistência. Amarilha afirmou que o proprietário estava retirando gado do terreno quando eles conversaram pela última vez. O advogado disse não ter detalhes sobre o confronto. Levado por parentes ao hospital Elmíria Barbosa, Alves estava consciente e não corria risco de morrer. Segundo a unidade de saúde, ele tem uma bala alojada nas costas, próximo à coluna. Em razão do ferimento, o índio foi transferido na noite de ontem para a Santa Casa de Campo Grande, a cerca de 60 km de Sidrolândia.
O episódio expõe o agravamento do conflito entre fazendeiros e índios em Mato Grosso do Sul. Na última quinta-feira, o terena Oziel Gabriel, 35, foi baleado e morreu durante confronto com policiais que cumpriam um mandado de reintegração de posse da fazenda Buriti, em Sidrolândia, área que está em processo intermediário de demarcação como terra indígena.
Em protesto, os índios voltaram a invadir a propriedade no dia seguinte, e desde então vêm promovendo outras invasões na região. Uma nova ordem de reintegração de posse da fazenda Buriti foi emitida anteontem, dando 48 horas para que os terenas deixem o local. A juíza Raquel do Amaral deu 48 horas para a saída de índios terenas que invadiram a fazenda na última sexta-feira. O prazo conta a partir do momento que os indígenas foram notificados. A Justiça Federal em MS afirmou que a anulação refere-se a uma decisão anterior, mas não soube informar a data.
Segundo a Famasul, federação que representa os produtores rurais de MS, ao menos 65 propriedades estão invadidas em todo o Estado. A maioria fica na região de Sidrolândia.
Folhapress

