O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou hoje a um jornalista que teria vontade de “encher tua boca com uma porrada” ao ser perguntado sobre os depósitos feitos pelo policial militar aposentado e ex-assessor Fabrício Queiroz na conta bancária da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Durante visita à Catedral de Brasília, Bolsonaro foi questionado por um repórter do jornal O Globo sobre o motivo dos depósitos feitos a Michelle.
O presidente então reagiu: “Minha vontade é encher tua boca com uma porrada, tá”. Sem responder à pergunta, Bolsonaro emendou: “Seu safado”. O jornal O Globo repudiou a atitude do presidente e afirmou que “tal intimidação mostra que Jair Bolsonaro desconsidera o dever de qualquer servidor público, não importa o cargo, de prestar contas à população” (leia abaixo a íntegra da nota). Entidades jornalísticas e políticos da oposição também criticaram a postura do presidente da República.
Após a ameaça, os repórteres então questionaram se a declaração era direcionada a toda imprensa ou apenas ao repórter que fez a pergunta. “Isso é uma ameaça presidente?”, questionaram os jornalistas que o acompanhavam. Bolsonaro não respondeu e deixou o local em seguida.
O presidente seguiu então para o Palácio da Alvorada. Os jornalistas, entretanto, foram proibidos pelos militares de seguir para o espaço reservado à imprensa na entrada da residência oficial do presidente da República.
Observe as falas no vídeo abaixo:
O episódio surge na esteira de uma reportagem da revista Crusoé, que revelou, em 7 de agosto, que Queiroz depositou 21 cheques, no valor total de R$ 72 mil, na conta de Michelle entre 2011 e 2018. Em 2011, a esposa de Queiroz, Márcia Aguiar, também teria repassado R$ 17 mil à futura primeira-dama.
Logo após as frases intimidatórias do presidente, outros jornalistas passaram a questionar o chefe do Executivo se aquilo era uma ameaça. Mas Bolsonaro não respondeu. O presidente ficou mais alguns minutos em uma feira de artesanato que ocorria local, depois entrou no carro oficial e seguiu para o Palácio da Alvorada.
Queiroz e Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente, são investigados pelo Ministério Público do Rio por suposta rachadinha em seu gabinete na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). A prática envolve a devolução de parte dos salários por servidores.
(*) OKariri, com informações de Uol e O Globo.

