Candidata à reeleição, a presidente Dilma Rousseff fez uma dura provocação, ontem, a sua adversária Marina Silva (PSB), ao disparar que é não apoiada nem sustentada por banqueiros.
A fala de Dilma foi uma resposta à declaração de Marina, que acusou a petista de promover em seu governo a “bolsa banqueiro”. A pessebista reagiu aos ataques da campanha de Dilma Rousseff na televisão que começou a afirmar que a ex-ministra dará mais poder aos bancos, caso seja eleita.
A propaganda de Dilma diz que a proposta de autonomia do Banco Central, incluída no programa de governo do PSB, pressupõe que os bancos assumam “um poder que é do presidente e do Congresso, eleitos pelo povo”. “Não adianta querer falar que eu fiz bolsa banqueiro. Eu não tenho banqueiro me apoiando. Eu não tenho banqueiro, você entende, me sustentando”, disse Dilma.
A presidente fez uma referência indireta a uma das coordenadoras do programa de Marina, Maria Alice Setubal, uma das principais interlocutoras da presidenciável. A Folha mostrou que a herdeira do banco Itaú, Neca, como é conhecida, doou cerca de R$ 1 milhão em 2013 ao instituto que Marina fundou para desenvolver projetos de sustentabilidade. Dilma não respondeu se há interferência de seu governo no Banco Central. Ela defendeu o texto de sua propaganda contra Marina.
“O Banco Central, como qualquer outra instituição não é eleito por tecnocrata nem por banqueiros. O Banco Central, sua diretoria é indicada por quem tem voto direto. E o que o Congresso faz com o Banco Central? Chama e manda prestar contas”, afirmou. E completou: “eu não digo isso porque sonhei com isso, está escrito no programa: autonomia do Banco Central e todo mundo sabe o que é autonomia do Banco Central. Todo mundo sabe”.
A presidente afirmou ainda que, com a autonomia, o Banco Central vai “definir a taxa de juros, as condições de política de crédito, autonomamente, sem prestar contas ao Executivo e nem sequer ao Legislativo”.
Contra-ataque
Após a divulgação da propaganda petista, em Minas Gerais, Marina contra-atacou e disse que foi Dilma quem beneficiou bancos em sua gestão. “Ela [Dilma] disse que ia ganhar para baixar os juros. Nunca os banqueiros ganharam tanto como em seu governo. E agora, eles que fizeram o ‘bolsa empresário’, o ‘bolsa banqueiro’, a ‘bolsa juros altos’, estão querendo nos acusar de forma injusta em seus programas eleitorais”, afirmou, repetindo uma expressão (“bolsa banqueiro”) que era usada pelo candidato do PSOL à Presidência em 2010, Plínio de Arruda Sampaio (1930-2014).

