
O cearense Francisco Teixeira foi anunciado ontem como ministro interino da Integração Nacional. Ele assume o lugar deixado pelo pernambucano Fernando Bezerra (PSB), que entregou o cargo ontem, depois da decisão de seu partido de deixar a base do Governo. Em entrevista por telefone ao O POVO, Teixeira ressaltou a importância dos órgãos de desenvolvimento regional do Nordeste e disse que a orientação da presidente Dilma Rousseff foi que desse continuidade ao trabalho de Bezerra até uma reforma ministerial.
Teixeira, engenheiro que até ontem ocupava o cargo de secretário de recursos hídricos do Ministério, disse que a pasta discute uma possível ampliação da atuação do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs). “Está em discussão uma reestruturação do Dnocs. Não é só o Nordeste que tem seca. E ampliar essa atuação é uma demanda”. Essa ampliação, diz o ministro, não significa a saída da sede do órgão do Ceará, decisão que ele diz caber a presidente e ao Congresso. A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) também poderia ter atuação ampliada, ou ter o modelo replicado em outras regiões.
Questionado sobre o esvaziamento das instituições regionais do Nordeste – como o próprio Dnocs e a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) –, ele disse que o ex-ministro estava em processo de reversão dessa situação, trabalho que ele afirma que dará continuidade. “O ministro (Fernando Bezerra) fez esforço muito grande. Com concursos públicos, a ideia é repor os quadros (de pessoal nesses órgãos)”.
O convite para assumir o ministério, segundo Teixeira, foi feito ontem pela própria presidente Dilma. “O Ministério está bem estruturado. Minha missão é fazer o Ministério não parar. Na palavra da presidente, ela queria um técnico”. E diz sobre a possibilidade de ser efetivado no cargo: “A ideia é que eu fique até uma reforma ministerial. Estou cumprindo uma missão pelo tempo que precisar”.
Cid Gomes
Teixeira foi presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh) antes de assumir secretaria no Ministério da Integração, em 2012. Sem filiação partidária, ele diz que não houve interferência política do governador Cid Gomes no convite feito pela presidente. “Apenas quando fui convidado pela presidente pedi para ela falar com ele (Cid). Sou funcionário de carreira do Estado”.
Dilma
Em nota, a presidente Dilma elogiou o trabalho de Fernando Bezerra à frente do Ministério.“Nos dois anos e nove meses em que esteve à frente da pasta, Fernando Bezerra fez um trabalho extraordinário. O orçamento total do ministério dobrou na sua gestão”.
Os elogios foram reproduzidos por Bezerra sobre seu sucessor.”Quando o convidei para o cargo, falei dos desafios que tínhamos pela frente, especialmente no que se referia ao Projeto de Integração do Rio São Francisco. E ele cumpriu à risca sua missão, imprimindo um novo ritmo a esta e a outras obras importantes”, destacou”, disse o ex-ministro na cerimônia de transmissão do cargo.
O Povo

