Bruno deve admitir morte de Eliza Samudio, mas negando a culpa

De cabeça baixa, o ex-goleiro Bruno é orientado por seu advogado Lúcio Adolfo, no segundo dia do julgamento do ex-atleta (FOTO: ALEX DE JESUS/AE)

No depoimento marcado para esta quarta-feira, o ex-goleiro Bruno Fernandes, do Flamengo carioca, vai admitir, pela primeira vez em público, que a ex-amante Eliza Samudio está morta. Mas, deve negar qualquer envolvimento no crime. A estratégia seria atribuir o sequestro e o assassinato ao ex-braço direito, Luiz Henrique Ferreira Romão, o “Macarrão”.

Ontem à noite, a outra ré sob julgamento, a ex-mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues do Carmo, prestou depoimento no Fórum de Contagem, na Grande Belo Horizonte e local do júri. Ela negou todas as acusações de envolvimento no crime. Mas, admitiu ter visto todos os acusados no sítio do ex-atleta do Flamengo na época dos fatos. Segundo ela, na noite do desaparecimento de Eliza, Bruno só pediu a ela para “cuidar da criança”.

Segundo a ré, Macarrão disse a Bruno que Eliza havia deixado o bebê. Bruno é acusado de ser o mandante do sequestro, cárcere privado e assassinato de Eliza, enquanto Dayanne está sendo processada pelo sequestro e cárcere privado do bebê. Desde o início do julgamento, na segunda-feira, circulam rumores no Fórum Dr. Pedro Aleixo de que o goleiro poderá confessar a participação no crime.

Em novembro, Macarrão foi condenado a 15 anos de prisão, sendo 12 em regime fechado, depois de assumir que participou da morte de Eliza. Mas alegou que o goleiro foi o mandante do crime. “Dissemos para ele (Bruno) contar o que sabe. A máscara já caiu. Ele não é mais goleiro do Flamengo. É um cidadão comum, um preso, um réu”, declarou o advogado Tiago Lenoir, um dos defensores do jogador. Mas ele ressaltou que isso não significa que o acusado vá assumir que cometeu o crime. “Se ele confessar, a confissão vai surpreender até os advogados”, disse. Questionado sobre a possibilidade de o goleiro atribuir o crime a Macarrão, o advogado preferiu manter silêncio e disse apenas que, entre a palavra do goleiro e do ex-amigo, a do jogador teria “muito mais peso: A confissão do Macarrão é completamente distinta das provas no processo”, ressaltou.

O Povo

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