Advogado de Bola quer prolongar julgamento ao máximo

As manobras da defesa do ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o “Bola”, para prolongar ao máximo o julgamento iniciado na segunda-feira passada, ficaram mais evidentes ontem, no quarto dia de trabalhos no Fórum de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Bola é acusado de assassinar e desaparecer com o corpo da amante de Bruno Fernandes, o ex-goleiro do Flamengo carioca, Eliza Samudio. Às 19h30min, alegando cansaço, os jurados pediram a interrupção da sessão, o que a juíza Marixa Fabiane Rodrigues acatou.

O advogado Ércio Quaresma, que defende Bola, ao solicitar a leitura de oito peças sobre o processo, derrubou qualquer perspectiva da juíza de concluir o julgamento nesta sexta-feira, como chegou a declarar a magistrada em plenário. Marixa solicitou que o advogado ponderasse diante da exaustão dos jurados e todos os envolvidos no júri. Porém, irredutível, Quaresma não abriu mão da leitura das peças, o que deve levar em torno de oito horas, na perspectiva do promotor Henry Wagner Vasconcellos.

Depois de encerrar os trabalhos, Marixa disse que ainda tem a esperança de que o julgamento termine amanhã: “Ele disse que vai aproveitar a noite para pensar se vai retirar algumas peças. Caso ele retire, aí poderemos fazer os debates no sábado e terminar os trabalhos”, afirmou ela.

Depois de interrogar por mais de 11 horas o delegado Edson Moreira, chefe das investigações policiais sobre a morte de Eliza, Quaresma teve cassado o seu direito de perguntar. Posteriormente, o promotor Henry Vasconcellos pôde, enfim, interrogar a testemunha. E aproveitou para contra-atacar, fazendo perguntas que trouxeram à tona o comportamento controverso de Quaresma durante as investigações.

O promotor lembrou também que os advogados de Dayanne do Carmo, ex-mulher de Bruno, denunciaram terem sido ameaçados de morte pelo advogado de Bola na porta da Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem.

O promotor terminou o seu interrogatório questionando como foi a votação recebida pelo delegado para vereador de Belo Horizonte (anteriormente, Moreira foi identificado como parlamentar em Contagem). O depoente afirmou que foi o terceiro mais votado da capital, com 10.532 sufrágios. Henry indagou se houve algum outro profissional do Direito candidato e o delegado disse que o “doutor Ércio Quaresma”, que recebeu apenas 342 votos e não foi eleito.

O Povo

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