
O terminal rodoviário Raimundo Inácio de Souza, mais amplo equipamento de atendimento ao transporte terrestre de passageiros da região do Cariri, apresenta atualmente deficiência em toda sua infraestrutura física. Com isso, a maioria das empresas de ônibus que operavam no local decidiu não mais realizar embarques e desembarques de seus passageiros devido à precariedade dos serviços oferecidos.
No terminal, falta segurança, bem como a situação de descaso em relação aos banheiros que se encontram sem chuveiros, pias e vasos sanitários e, ainda, apresentando vazamentos. O sistema elétrico também é falho. Apenas algumas luminárias funcionam e, por causa da falta de manutenção, riscos de curto circuito e, até mesmo, incêndios não estão descartados.
O teto apresenta rachaduras e, em quase toda sua extensão, há goteiras quando dos períodos de chuvas, devido à quantidade de buracos existentes. A maioria dos boxes está fechada e apenas alguns permissionários continuam mantendo seus estabelecimentos em funcionamento, como forma de atender as poucas pessoas que ainda utilizam o equipamento. A área destinada ao estacionamento dos ônibus está esburacada e motoristas reclamam da possibilidade da quebra de veículos devido às deficiências na pista de rolamento.
A noite, como não há guardas, usuários de drogas se apropriam do terminal rodoviário para fumar maconha ou cheirar cola. Crimes já foram registrados no interior da unidade.
As atividades no terminal rodoviário Raimundo Inácio de Souza foram iniciadas no final do mês de fevereiro de 1991. Nos primeiros anos de funcionamento, o equipamento, além de verificar grande fluxo de passageiros nas áreas de embarque e desembarque, também era visto pela população do município como uma espécie de centro de comercialização de produtos artesanais produzidos na própria cidade. Assim, passou a funcionar até como cartão postal da cidade. Eventos sociais, como festas de casamento, batizados, e comemorações familiares, eram frequentemente realizados na área onde ainda funciona um restaurante. O local possui dois pisos, sendo que o espaço superior encontrasse interditado. Hoje, o número de frequentadores é diminuto. A presença de populares da comunidade praticamente inexiste, enquanto que a utilização por passageiros também é baixa, por causa do pequeno número de empresas que operam no terminal rodoviário.
O equipamento já chegou a ser utilizado por cerca de 12 empresas de ônibus interestaduais e intermunicipais. Os permissionários mais antigos contam que naquela ocasião havia, pelo menos, 25 ônibus diários realizando paradas para embarque e desembarque. Hoje, segundo afirmam, o numero de operações é 80% menor que nos anos passados. “Quase não há atividade na rodoviária”, afirma o comerciante Geraldo Pereira, permissionário de um dos 25 boxes do terminal desde a fundação do equipamento. “Desde novembro do ano passado foi iniciada uma obra de recuperação pelo governo do estado. A obra, no entanto, já foi paralisada duas vezes e o que a gente percebe é que não houve nenhuma melhoria na rodoviária, até agora”, diz.
As obras citadas estão sendo acompanhadas pelo Departamento de Arquitetura e Engenharia do Estado (DAE), através de solicitação do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) atual responsável pela administração do terminal rodoviário do município.
Para o prefeito Neneca Tavares (PDT), o trabalho de recuperação realizado pelos órgãos estaduais está aquém das expectativas. O gestor aponta à necessidade de maior qualidade no material utilizado durante os reparos físicos do equipamento, bem como em relação aos serviços de hidráulica e energia elétrica. “Nenhuma das ações realizadas pelo DAE são condizentes com a qualidade das obras apresentadas pela gestão do governador Cid Gomes”, assevera o gestor, informando que no início do mês dezembro esteve pessoalmente no órgão protocolando ofício no qual foi solicitado, além do reinicio imediato das obras, uma reavaliação do órgão em relação aos materiais que estavam sendo utilizados nos serviços de recuperação dos banheiros e demais áreas do equipamento. Neneca Tavares diz que durante os primeiros anos de funcionamento, o local era mantido através da cobrança de tributos, taxas e aluguéis para uso dos boxes. As cobranças, no entanto, deixaram de ser realizadas pelo município, criando, de tal maneira, falta de condição financeira para manutenção do próprio equipamento.
Intervenção
Conforme o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) a intervenção do órgão no equipamento começou há aproximadamente 4 anos. A recuperação teve o orçamento inicial de R$ 370 mil. Quando as obras de recuperação estavam sendo realizadas, constatou-se um problema estrutural que tinha de ser corrigido.
O Detran argumenta que também foi constatada a necessidade da troca de todo o sistema elétrico da unidade, havendo, portanto, uma revisão do projeto inicial e uma planilha de custos, resultando em um acrescimento de mais R$ 118 mil. A partir daí, a obra passou a ter o valor total de R$ 488 mil.
Afirma ainda que a empresa vencedora da licitação garantiu que retomará as obras no próximo dia 6 de janeiro, com o prazo de 90 dias para a sua conclusão, o que possibilitaria a entrega do terminal à população no início do mês de abril de 2014.

