Preocupante! Cariri vivencia risco de colapso hídrico

(Foto:  Amaury Alencar)
(Foto: Amaury Alencar)

No Cariri, o prenúncio dado pela Funceme de mais um ano de estiagem desestabilizou autoridades políticas. A preocupação com a escassez prolongada, comumente enfrentada pelos moradores rurais, se estendeu aos perímetros urbanos. O quadro climático se agrava ainda mais com a possibilidade de paralisação, por tempo indeterminado, do Cinturão das Águas, obra crucial para garantir a segurança hídrica e evitar um colapso de água na região.

Para o secretário de Meio Ambiente, Agricultura e Serviços Públicos de Juazeiro do Norte, Silva Lima, se o Cinturão das Águas não for retomado logo, a problemática com a água será imensurável. “Todas as obras federais estão paradas. Não chega dinheiro pra nada. Até as do Parque Ecológico, em Juazeiro, estão suspensas por falta de repasse”. O titular da pasta ressalta que, sem um prognóstico positivo de chuvas, os reservatórios também poderão ser insuficientes para a demanda local.

A paralisação dos trabalhos das empreiteiras que atuavam no Cinturão das Águas levantou a hipótese de que o Estado não disporia de recursos para retomar a obra prometida para início de 2016. Sobre o caso, o governador do Ceará, Camilo Santana, em visita ao Cariri para inaugurar uma adutora em Caririaçu, disse que o atraso no pagamento das empresas se deu por causa das transições de governo. Ele garantiu ter conseguido a liberação da verba federal, junto ao Ministério da Integração Nacional, para quitar a dívida com as empreiteiras, ainda esta semana.

O governador assegura que houve, apenas, a redução dos trabalhos no local da obra, o que, segundo ele, já estava previsto. O prazo para o retorno da construção não foi confirmado. A preocupação das lideranças políticas em relação às ações de convivência com a seca virou prioridade de gestão. Em Caririaçu, a captação insuficiente no açude São Domingos, para abastecer a população local, pressionou o Estado por alternativas diante do colapso hídrico iminente. A adutora emergencial, inaugurada por Camilo Santana, no último sábado (31), entrou em fase de teste.

Mesmo abastecendo a sede do município, o equipamento não soluciona o problema de quem reside nas áreas rurais. Para o vereador Rinaldo de Freitas, a situação continua sendo um gargalo para a administração, que necessitará do uso de carros-pipas e de mais implantação de cisternas. “Precisamos da execução da adutora definitiva, que está paralisada na burocracia do governo federal”, destaca.

Agricultura e Pecuária

A estiagem tira o sono de pequenos agricultores e criadores. A expectativa da Associação dos Criadores do Cariri (ACC) é de um quarto ano de muita preocupação e trabalho, para evitar o extermínio de rebanhos, como ocorreu em anos anteriores. O presidente Valêncio Carvalho pede um olhar mais atencioso do Governo do Estado para encontrar alternativas que auxiliem na alimentação dos bichos e plantio de palmas e sorgos.

Os agricultores Manoel Silva e Raimundo Neto, que residem na zona rural de Crato, estão receosos quanto à falta de chuva para um resultado rápido da colheita. “Se não chover rápido, a plantação se perde. Mal temos água para beber”, enfatiza seu Manoel Silva.

Diante do quadro, o secretário de Desenvolvimento Agrário e presidente do Comitê da Seca do Ceará, Dedé Teixeira, afirmou que intensificará as obras de convivência com a seca, no intuito de reduzir os impactos causados pelo fenômeno. O secretário disse já ter começado uma rodada de debates com autoridades políticas sobre o abastecimento de água em municípios cearenses.

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