
A ex-senadora Marina Silva, candidata à Presidência da República pelo PSB, afirmou em entrevista ontem ao “Jornal Nacional”, da TV Globo que “não tinha nenhuma informação quanto a qualquer ilegalidade” referente à situação jurídica dos proprietários do avião usado por Eduardo Campos em 13 de agosto, dia do acidente aéreo que o matou em Santos.
Marina garantiu que a aeronave havia sido emprestada por empresários à campanha do PSB ao Palácio do Planalto e que o ressarcimento seria feito “no prazo legal estabelecido pela Justiça Eleitoral”. “Uma coisa eu te digo, a forma como o serviço estava sendo prestado era esse do empréstimo”, declarou.
A Polícia Federal investiga as razões da queda do avião, mas apura também por que o real dono e o operador da aeronave eram diferentes.
O jato era usado pela campanha de Campos desde maio e uma hipótese dos policiais é que ele foi comprado com recursos de caixa dois de empresários ou do PSB. As despesas com o jato não apareceram na primeira prestação de contas da campanha do PSB.
Após dar as respostas, Marina foi questionada sobre qual seria a diferença entre a postura que havia adotado ao falar do caso e a de políticos em geral quando confrontados com denúncias.
“O meu compromisso é com a verdade. A verdade não virá apenas pelas mãos do partido e nem apenas pela investigação da imprensa, que respeito, ela terá que ser aferida pela investigação da polícia e isso não tem nada a ver com querer se livrar do problema”.
A candidata chegou a confrontar os jornalistas William Bonner e Patrícia Poeta, dizendo que o primeiro não estava “trabalhando com os fatos” e a segunda, “tem um certo desconhecimento do que é ser senadora vindo da situação que vim”.
Em relação ao seu candidato a vice, deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS), que votou a favor do cultivo da soja transgênica e das pesquisas com células-tronco embrionárias, Marina afirmou que “a nova política sabe trabalhar com diferenças”. Marina afirmou “tratar-se de uma “lenda” a ideia de que ela é contra o uso de sementes transgênicas.
“Eu defendo um modelo de coexistência, em que existam áreas de transgênicos e áreas livres de transgênicos. No Congresso não passou a proposta da coexistência”, disse a ambientalista.
Beto Albuquerque mantém proximidade com representantes do agronegócio, rivais históricos de Marina.
Os apresentadores do telejornal voltaram a confrontar Marina sobre o discurso da nova política em contraposição à “velha política”. William Bonner sugeriu que Marina usa dois pesos e duas medidas quando analisa as alianças políticas não programáticas de seus adversários e as suas.

