Presidente da Transnordestina pede renúncia do cargo após mudanças

O diretor-presidente da concessionária de ferrovias Transnordestina Logística (TLSA), Angelo Baptista, renunciou ao cargo. Conforme antecipou na sexta-feira o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, o executivo vai se dedicar a outra empresa, fora do setor ferroviário.

O desligamento de Baptista acontece menos de um mês depois de completada a negociação entre a controladora da Transnordestina, a Cia. Siderúrgica Nacional (CSN), e o governo. Pelo acerto, a empresa vai receber mais recursos públicos para a obra, que ainda teve seu prazo da obra e de concessão estendidos. O valor total previsto subiu de R$ 4,5 bilhões em 2007 para os atuais R$ 7,5 bilhões. Além disso, o novo prazo de conclusão mudou de dezembro de 2015 para setembro de 2016.

Para receber novos financiamentos e aportes e ainda ter aprovado seu novo plano de investimentos, a companhia passou por uma reestruturação e cindiu há cerca de um mês seus ativos em duas malhas diferentes.

A cisão foi combinada entre CSN, a estatal Valec e o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE). A parcela cindida – denominada Malha I – será incorporada pela Ferrovia Transnordestina Logística (FTL), que pertence à CSN. Houve ainda redefinição do plano da Malha II, que envolve a malha Nova Transnordestina – cujo trecho de 1,75 mil km liga a cidade de Eliseu Martins (PI) ao Porto de Suape (PE) e Missão Velha (PE) ao porto de Pecém (CE).

Procurada, a CSN confirmou a saída de Baptista. Disse tratar-se “troca normal de executivos” e informou que interinamente foi nomeado Ricardo Fernandes, atual diretor administrativo, financeiro e de RI da TLSA e da FTL.

Em setembro, após paralisações e greves nas obras da Transnordestina, foi rescindido o contrato entre a Construtora Norberto Odebrecht (CNO) e a concessionária. Essa rescisão teve que ser submetida a um processo de arbitragem, e a CSN ainda se comprometeu com o governo a retomar as obras em 90 dias e a aproveitar parte dos mais de 3 mil operários. A CSN chamou outras três construtoras para as obras: Queiroz Galvão, Civilport Engenharia e EIT Engenharia.

A ferrovia foi criada como uma promessa de solução logística para a região Nordeste, com foco no agronegócio e na indústria mineral. A nova malha da Transnordestina vai interligar Eliseu Martins, no sertão do Piauí, aos portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco. Atualmente, a companhia já opera a concessão da malha I, de mais de 4 mil km, e transporta combustíveis, cimento, produtos siderúrgicos e outros.

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