Rezadores mantêm tradição familiar de práticas populares de cura

Dona Bido mantêm a tradição há mais de três décadas (Foto: Klébio Leite/Agência OKariri)

As práticas populares de cura utilizadas pelos rezadores seguem em alta nos pequenos centros urbanos, em que pese à chegada da tecnologia e a ampliação dos serviços médicos pelos órgãos públicos. O município de Milagres/CE, na Região do Cariri, é um exemplo disso. Recentemente, o Portal OKariri destacou o renomado rezador Antônio Aristides que em seu santuário localizado no Sítio Tabocas, recebe caravanas de outros municípios e de até de estados vizinhos [releia a matéria].

Na semana passada, enfatizamos o projeto “Minha Cultura é de Fé” dos alunos da EEEP Ana Zélia da Fonseca que busca conhecer e valorizar essas manifestações, no intuito de preservá-las como identidade da sociedade milagrense. [releia a matéria]

Outras duas personalidades ligadas a prática popular de cura, foram visitada pela reportagem do Portal OKariri, ambas na sede do município. Seu Assis Moura, conta que em 1980, em sonho, recebeu orientação de uma mulher para curar as crianças dando continuidade a uma tradição de seu pai, que era rezador. “Quando rezo nas crianças eu sinto muito alegria. Me dá prazer em rezar nelas”, afirma.

De acordo com ele, a procura das pessoas pelos rezadores não mudou. “Todo dia tem gente me procurando”, revela. “É através da oração que eu curo e se a pessoa tiver fé fica boa [curada]”, observa.

Já dona Maria Idelia (Maria Bidó) há cerca de três décadas assumiu a postura de rezadora popular, apesar de não sabe ler. “É um dom de Deus”, acredita. As principais “doenças” encontradas nas pessoas que a procuram são olhado, vento caído, constipação, dor de cabeça e reumatismo.

Dona Bidó, cuja mãe era rezadora, conta que o limite das “rezas” são três dias seguidos “No primeiro dia os ramos fecham. No segundo dia fica mais ou menos e no terceiro já não murcham tanto”, revela.

Como se vê, em muitos casos, apesar dos novos tempos, da globalização e do desenvolvimento da ciência, as pessoas ainda buscam seu próprio meio de resolver questões sobre saúde-doença. “Não sou eu, é Deus. Deus cura e a pessoa vem com a fé”, diz Dona Bidó que não cobra pelos atendimentos, mas revela ganhar muitos presentes.

Agência OKariri | Klébio Leite

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  1. Realmente Milagres está precisando reunir todos esses rezadores para afugentar de uma vez por todas essa administração municipal. As queixas dos mais pobres cada vez mais aumentam na proporção direta ao descaso. O município está parado no tempo e no espaço, por falta de um administrador sério e comprometido com o município. Vamos renovar Milagres precisa de uma cara nova a frente dos destino do município. Vamos inovar com industria, fábricas como está fazendo o vizinho município do Mauriti, hoje tem uma fábrica de sorvetes que já vende em 05 Estados do Nordeste, ISTO CHAMA-SE estimular a iniciativa privada. Milagres vive um faz de contas

  2. Não podemos deixar essa prática morrer! Toda ação utilizada ao bem comum e ao próximo, é bem vista aos olhos de Deus.
    Vamos incentivar aos mais jovens essa arte milenar das (rezas), para que continuem sendo passada de pai para filho;caso contrário daqui a uns 20 anos, não haverá mais rezadores como Seu Assis e Dona Bidó!
    Viva!!! a cultura popular Nordestina, Viva!!! a cultura popular Brasileira!!!

  3. Olha só quem diria reconheci a minha Madrinha Maria Edila (Bidó) mesmo de costas…saudades!

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