
Cerca de 60 mulheres foram às ruas do Centro do Crato na manhã de ontem reivindicar a entrega de um terreno que, segundo afirmam, teria sido doado pelo prefeito Ronaldo Sampaio Gomes de Mattos no início de sua gestão. A área estaria localizada na região do Alto da Penha e seria utilizada na construção de habitações populares para famílias que ainda não possuem casa própria.
O grupo é o mesmo que há cerca de 12 dias ocupa a Câmara de Vereadores do município. Ontem pela manhã, segundo a coordenadora do movimento, Gorethe Correia Lima, as mulheres resolveram sair às ruas e conclamar a sociedade local a apoiar o pleito e tentar sensibilizar a administração do município em relação às demandas.
“Ninguém está pedindo esmola. O que nós queremos é garantir a dignidade de homens e mulheres que trabalham todo o santo dia e não possuem, sequer, condição para pagar aluguel no início de cada mês”, explica a líder do movimento.
Além das casas, o grupo também reivindica, conforme a manifestante, o “fim da corrupção no município”. Portando cartazes onde se lia a frase “Fora Corruptos”, as mulheres gritavam palavras de ordem relembrando aos populares que observavam a manifestação das calçadas denúncia apresentada pelo ex-prefeito Samuel Araripe em torno da existência de um “mensalinho” pago pelo atual prefeito da cidade para que vereadores desaprovassem as contas de gestão relativas ao exercício financeiro de 2009, de responsabilidade do ex-prefeito.
A dona de casa Tatiana Ribeiro da Silva, que mora no bairro Mutirão, disse que o problema já se arrasta por muitos anos e que, cansada de esperar, a população decidiu “tomar as rédeas” da situação. “O movimento só acaba quando o prefeito Ronaldo, que prometeu o terreno, cumprir com o prometido. No Mutirão, Alto da Penha e Pantanal está todo mundo precisando de casa pra morar. Ele prometeu, que doe logo esse terreno”, cobrou.
A líder do movimento, Gorethe Correia, também informou ter descoberto que o local que havia sido prometido pela atual gestão municipal para construção das unidades habitacionais havia sido repassado, na semana passada, a uma rede de farmácias que pretende expandir suas instalações no município.
O chefe de gabinete da prefeitura municipal, Cristiano Leite, negou que tenha havido, por parte do prefeito Ronaldo Mattos, indicação prévia de área a ser doada para construção de moradias. Segundo ele, o gestor recebeu as demandas apresentadas pelos manifestantes e está trabalhando o atendimento das pautas. “Desde o momento em que o governo municipal recebeu a pauta de reivindicações elaborada pelos manifestantes que ocupam a Câmara de Vereadores, foi elaborado um plano de ação na tentativa de atendimento as demandas. No entanto, nessa questão específica à doação de terrenos para construção de casas populares, há situações que exigem maior período de tempo”, afirma.
Cristiano Leite confirmou que o município realizou doação de um terreno a uma rede de farmácias que estaria sendo ampliada na cidade. Disse, no entanto, não se tratar do mesmo local exigido pelos manifestantes. “Pelo contrário, o terreno que será utilizado pela rede de farmácias fica em outro local, nas imediações do Conjunto dos Artesãos, para ser mais exato. Não tem nada a ver com o que estão exigindo”, garantiu.
Em Crato, o déficit habitacional atinge cerca de seis mil famílias, segundo dados da própria gestão. O município, segundo o secretário, tem buscado junto ao governo federal a construção de 4 mil moradias, através do Programa Minha Casa Minha Vida. Deste total, no entanto, apenas 2.400 unidades já estão aprovadas. “Nós estamos aguardando a liberação de aporte financeiro pelo Estado para que as obras de construção destas primeiras unidades possam ser iniciadas”, informou a coordenadora do programa Minha Casa Minha Vida no município, Luciana Vieira Marques.
Ela explicou que houve diferença em relação ao valor avaliado para construção das unidades em relação a outros municípios. “Os valores são diferentes, por exemplo, com os de Juazeiro do Norte. Por causa dessa diferença é que foi solicitado o apoio do governo estadual”, disse.
Diário do Nordeste

