
O governador Cid Gomes (Pros) minimizou, ontem, a situação dos policiais militares flagrados realizando policiamento ostensivo nas ruas de Fortaleza, no último fim de semana, sem equipamentos de proteção, como coletes balísticos e armamento. Os militares fazem parte da turma de 1.097 profissionais recém-formados, que serão distribuídos em batalhões que cobrem a Região Metropolitana, denominada pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social como “cinturão vermelho”.
O governador classificou a denúncia como crítica da “oposição” e recomendou que os “adversários” procurassem coisas sérias para reclamar. “Reclamam porque não tem (colete)… O policial, não necessariamente, está numa postura de correr risco. No mundo todo você vê policiais sem colete à prova de bala. Não é toda hora que ele tem a necessidade de ter um colete à prova de bala. O colete à prova de bala é usado em tais situações”, disse Cid Gomes.
O governador se recusou a esclarecer quais situações seriam essas em que colete e armamento são necessários. Cid Gomes comentou o assunto durante cerimônia de recepção a 212 profissionais formados no exterior que concluíram o curso de formação do programa Mais Médicos.
Situação irregular
O PM que trabalha sem esses itens de segurança contraria determinação do próprio Comando-Geral da Polícia Militar, segundo o qual é obrigatória a utilização, durante o desenvolvimento de atividades ostensivas, de colete à prova de balas e armamento.
“Criticar porque você está ampliando o contingente de Polícia na rua? Brincadeira”, ironizou Cid. “Mostra uma incoerência. Há pouco tempo, diziam que não tinha policial. A gente bota policial e a oposição vai dizer que o policial não está preparado.”
Na tarde de ontem, a assessoria jurídica do vereador e presidente da Associação dos Profissionais de Segurança Pública do Ceará (Aprospec), capitão Wagner de Sousa, protocolou ações, por cometimento de crime militar, contra a PM junto ao Ministério Público Militar e à Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD).
Coletes adquiridos
O capitão e vereador de Fortaleza, Wagner de Sousa, denunciou ontem que todos os PMs do Estado estariam usando coletes que perderam a validade no último dia 5 de agosto. Em nota encaminhada ao O POVO, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que concluiu, no último dia 31 de outubro, licitação para a compra de 5.137 coletes para policiais civis e militares.
Segundo a SSPDS, o contrato com a empresa vencedora já foi assinado e a entrega deve ocorrer nos próximos dias.
“O processo foi demorado devido à quantidade de recursos movidos por empresas concorrentes. Isso é comum no serviço público”, dizia a nota.
A assessoria de imprensa da SSPDS afirmou que a informação de que todos os coletes estão vencidos “não procede”, mas recomendou que o relações-públicas da PM, o tenente-coronel Fernando Albano, fosse procurado. Durante a tarde, Albano não estava no gabinete e não atendeu as ligações.
Sobre a contestação, o capitão Wagner reiterou que todos os equipamentos estão vencidos e adiantou que o número de equipamentos adquiridos não irá suprir as necessidades da PM, muito menos somadas às da Civil, composta por 2.466 mil policiais.
O Povo

