
A manhã de ontem aparentava semelhante à de outros domingos. No arredor da Ponte Metálica, em Fortaleza, turistas ou residentes aproveitavam para caminhar no calçadão, tomar um banho de mar ou, simplesmente, apreciar a vista do mar. Mal sabiam que um fenômeno natural estava acontecendo acima de suas cabeças.
Timidamente, às 7h, era possível ver nitidamente duas “bolas” no céu. As nuvens bem que quiseram incomodar, no entanto, serviram por vezes como filtro para melhor enxergar o evento.
Aos poucos, em passos curtos, foram se aproximando, até que, como disse um turista explicando ao outro: “a Lua abocanhou o Sol”. A Terra da Luz não teve o dia virando noite, mas o eclipse solar parcial foi o suficiente para impressionar aqueles que arriscava olhar diretamente para o céu, sem proteção especial ou pelo menos óculos escuros.
A maioria dos presentes aproveitou a ocasião inesperada para observar o fenômeno. Porém, houve uma exceção. A professora Ivonete Sousa, 30, soube no último sábado, que em Fortaleza seria possível assistir ao eclipse.
Ela não mediu esforços, pesquisou o horário do ápice em Fortaleza, acordou cedo e fez o namorado buscá-la para acompanhar tudo de perto. “Desde sábado, eu o perturbava para vir assistir. A gente não costuma vir para a Ponte Metálica, foi exclusivamente para ver o eclipse”, ressalta. A escolha não foi por acaso, ela decidiu pelo local para não ter risco do evento acontecer por trás de algum prédio alto, como comentou.
Nitidez
O momento em que a Lua se colocou na órbita entre a Terra e o Sol de maneira mais nítida em Fortaleza foi por volta de 8h30.
De acordo com o diretor do Planetário, Dermeval Carneiro, o Sol não ficou nem 30% coberto. Locais mais ao norte, como Pará e Amapá, viram uma área de sombra maior. Esse eclipse foi total em uma faixa da África e no Oceano Atlântico.
Foi o último eclipse deste ano e é caracterizado como híbrido, por ser visto total em alguns locais e anular em outros, dependendo da sombra projetada. O anular é quando a Lua não cobre totalmente o Sol, deixando um anel visível ao seu redor.
A periodicidade dos eclipses, como explica Dermeval Carneiro, é de até sete por ano, sendo a frequência maior de lunar. A média é ser três solares e quatro lunares. Para acompanhar o evento, não é recomendado o uso de raio-x como filtro, nem olhar diretamente para o Sol. O produto mais recomendado é o filtro do capacete do soldador número 14.
Diário do Nordeste

