
Foto: Alcides Freire/Diário do Nordeste
OKariri, por Diário do Nordeste
Atraso de salário. Essa era a gota d´água que faltava para que os servidores terceirizados da Saúde Mental de Fortaleza fossem para a porta da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) reivindicar seus direitos. Os manifestantes da categoria e os profissionais terceirizados da Saúde que atuam nos Centros de Saúde da Capital, Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e hospitais da rede ainda não receberam o salário referente ao mês de outubro. Com a paralisação, a equipe dos centros ficaram reduzidas e, por isso, pacientes foram liberados antes do tempo previsto.
No Caps AD do Centro, localizado na Avenida Duque de Caxias, estavam trabalhando somente alguns funcionários contratados por meio de seleção pública. Diante da carência de servidores por conta da manifestação, o enfermeiro-chefe Márcio Adriano deu alta a três pacientes antes do período satisfatório. “Não temos como manter um paciente aqui sem o acompanhamento necessário, então, tive que mandá-los para casa”, diz.
Segundo a terapeuta ocupacional da unidade, Renata Horta, os grupos terapêuticos foram cancelados, ontem, devido à paralisação, pois ela precisou atender aos pacientes que chegavam no Caps pela primeira vez e não pôde ministrar os trabalhos.
O auxiliar de almoxarifado Jorge Antônio de Sousa estava internado há sete dias no Caps AD do Centro. Ele conta que é dependente do álcool, e enxergou na unidade uma saída. Porém, devido à paralisação, recebeu alta antes da hora. “Não me sinto preparado para ir embora, tenho medo de sofrer uma recaída”, relata.
Os problemas nesses centros podem ser observados diariamente. O presidente do Sindicato dos Psicólogos, Fulvio Robert, que trabalha no Caps da Secretaria Executiva Regional (SER) V, no Bom Jardim, afirma que, na unidade em que trabalha, por exemplo, o efetivo é insuficiente para a demanda.
A coordenadora do Caps da Regional V, Aurilene Xavier Oliveira, destaca que as dificuldades são inúmeras, começando pela falta de vale transporte até a manutenção das residências terapêuticas. Já Ana Maria Borges, que coordena o Caps da SER I V, reclama da falta de medicação e material para a execução de oficinas terapêuticas.
Conforme o médico Alfredo Holanda, servidor terceirizado que atua no Caps AD da SER I, a manifestação foi movida pelo sentimento de medo coletivo, pois, conforme ele, os servidores receiam por um calote da Prefeitura de Fortaleza nos últimos meses do ano. “Somos uma categoria formada por pais de família que dependem desse dinheiro para sobreviver”, ressalta.
De acordo com os servidores terceirizados hoje, às 9h, haverá uma reunião dos funcionários terceirizados da Saúde no Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional para decidir as questões jurídicas.
Os servidores são contratados por meio do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Apoio à Gestão em Saúde (IDGS), empresa paga pela Prefeitura de Fortaleza para gerenciar os salários. Contudo, a assessoria de imprensa da SMS afirma que a informação dada pela gestão é que o dinheiro foi enviado para a IDGS, mas a empresa não teria repassado a quantia para os servidores.
Robson Holanda, advogado do IDGS, afirma que o instituto possui alguns contratos de gestão firmados com a Prefeitura de Fortaleza e recebe os recursos para prestar serviços de saúde. Os repasses devem acontecer mensalmente, entretanto, alguns atrasos teriam ocorrido nos meses de junho, julho, agosto e setembro, o que gerou um acúmulo de valores.
Diante disso, os recursos enviados pela Prefeitura de Fortaleza para outubro não foram suficientes para pagar todos os funcionários. Sendo assim, segundo o advogado, o IDGE priorizou o pagamento dos encargos sociais dos funcionários.
Ontem, Robson Holanda declarou que recebeu uma ligação do setor de Recursos Humanos do IDGE informando que a situação seria regularizada na quarta-feira (21). Portanto, de acordo com ele, na próxima quinta-feira, o salários dos servidores terceirizados devem ser pagos.
A equipe de reportagem tentou falar com a Coordenadora da Saúde Mental da SMS, Rane Félix, mas foi informada que ela havia viajado para um congresso, por isso, estava com o celular desligado.

