Apenas grandes cidades estão fora do risco de falta de água no Ceará

Dos 184 municípios cearenses, cerca de 30 podem – ou já estão -, de acordo com uma avaliação realizada Cagece, correndo o risco de entrar em colapso (FOTO: FABIANE DE PAULA/DIÁRIO DO NORDESTE)

O segundo – e mais seco – semestre do ano não deve preocupar os habitantes das “grandes cidades cearenses” quando o assunto for água potável, segundo garantiu ontem o diretor-presidente da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), André Facó. Ele afirmou que existe “uma condição de segurança de ir até o próximo período chuvoso”, esperado para o fim de dezembro próximo. Já para as pequenas cidades e distritos longes dos grandes centros cearenses, onde os reservatórios secaram, a realidade é outra.

“Esses outros locais aí, realmente, por conta da estiagem, infelizmente, não têm condição de reposição (de águas)”, lamentou durante a apresentação do aplicativo da Cagece para smartphones e dispositivos móveis.

Dos 184 municípios cearenses, cerca de 30 podem – ou já estão -, de acordo com avaliação da Companhia, correndo o risco de entrar em colapso até que as próximas chuvas ocorram.

Medidas alternativas

Para dar conta do abastecimento destas cidades, Facó apontou como únicas soluções a Operação Carro-pipa, a perfuração de poços profundos e a construção de adutoras de engate rápido – redes de transmissão de água não subterrânea cujo ritmo de construção chega a 3km por dia.

“Só a Cagece tem contrato de perfuração de 100 poços, a Sohidra (Superintendência de Obras Hidráulicas) tem mais 300 poços e o Exército também tem mais 300 poços para até o fim do ano. Há um alinhamento entre estes vários órgãos para buscar atender essas carências”, minimizou André Facó.

Além destas possibilidades, o diretor-presidente da Cagece contou do repasse de R$ 2,5 milhões do Ministério da Integração para a construção de três novas estações de tratamento de água no Estado.

Dez cidades pleiteiam as construções, que ainda não tiveram o local definido.

Mesmo com o cenário de abastecimento dramático, o diretor-presidente considera como maiores desafios para a Companhia a entrega de água de qualidade e a construção de uma rede de esgoto maior, para os quais dispõe de R$ 1,6 bilhão no orçamento para serem aplicados nos próximos quatro anos.

Fortaleza assegurada

Já para a Capital, André Facó aponta um cenário promissor ao afirmar que deverá ter a distribuição de água garantida para os próximos 15 anos a partir de três obras que se encerram em dezembro de 2013.

“Hoje, nós temos duas estações. Uma consegue tratar 10 mil litros de água por segundo e a outra um mil litros de água por segundo. Fortaleza precisa de oito mil litros de água por segundo, ou seja, a gente tem água sobrando”, destaca.

No entanto, ele admite que nem todos os bairros e localidades da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) recebem esta água, o que a Cagece considera consequência do “crescimento desordenado”.

Mais gente, menos pressão

Das 700 mil ligações de água, apenas 8% enfrentam intermitência no abastecimento por conta da pressão nos canos. Isso, de acordo com ele, deve-se ao aumento de unidades habitacionais e até de indústrias construídas em bairros onde não existia grande demanda de abastecimento. “A Cagece deveria receber informações dos empreendedores – principalmente os que tem contrato com o Minha Casa, Minha Vida – e do próprio poder público para ela se preparar e planejar-se para ampliar seu sistema”, diz. A resolução de problemas “como os vistos no Ancuri, Lagoa Redonda, Paupina e outros bairros” também é até o término de 2013 a partir de obras que parte de Messejana, Jangurussu e Caucaia e atravessam a cidade.

Diário do Nordeste

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