O relato na rede social tem só seis linhas. “Venho pedir ajuda a vocês porque acabei de ser assaltado à mão armada. Levaram meu veículo. Qualquer notícia, por favor, entre em contato”, diz Carlos Elpídio no trecho indignado de um clamor tão curto quanto rotineiro em Fortaleza.
De janeiro a julho deste ano, os roubos e furtos de veículos aumentaram 35% em relação ao mesmo período do ano passado. Os casos saltaram de 3.875 para 5.250. Os dados foram levantados pelo O POVO com base em relatórios da Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSPDS). De junho para julho, os roubos cresceram 8,9% depois de um recuo de 5% no bimestre anterior. Já os furtos reduziram em 18% de junho para julho, após o aumento de 9% de maio para junho.
Tão logo as estatísticas de agosto sejam contabilizadas pela SSPDS, Elpídio aumentará o número de 3.704 fortalezenses com carros roubados nos sete primeiros meses deste ano. Os furtos no mesmo período foram 1.546.
O ataque a Carlos aconteceu na rua Coronel Alves Teixeira. O Polo foi levado dele no bairro com o 18º maior índice de roubos de veículos da cidade – o Joaquim Távora.
Bairros
Messejana encabeça o ranking desse tipo de crime. Tem 150 ações de janeiro a julho deste ano. A Parquelândia, bairro em quarto lugar até maio, saltou para a segunda colocação (com 142 casos). Somente seis bairros de Fortaleza não tiveram roubos de veículo sem 2013. Já no tocante aos furtos, o Centro lidera – com 149 ocorrências. Apenas 13 bairros da Capital não registraram ocorrências em 2013. Isolados, os furtos aumentaram apenas 2,5% em relação a 2012, com retração nos meses de março, abril, junho e julho. No recorte exclusivo dos roubos, o crescimento foi de expressivos 57% – sem recuo estatístico em nenhum mês.
Dicas
1. Quando não tiver como deixar o veículo num estacionamento fechado, procure ruas que não sejam ermas ou mau iluminadas. Prefira parar onde há vigias.
2. Ao deixar o veículo, retire tudo. Até uma sacola vazia pode despertar a curiosidade dos bandidos. Se não tiver como levar os pertences, coloque-os no porta-malas. Isso vale também para documentos.
3. Planeje sua rota caso vá circular por regiões desconhecidas. Você pode acabar passando por um local típico de roubos e ser vítima de um.
4. Em semáforos, pare a uma boa distância do carro da frente e da faixa de pedestres. Em caso de um ataque, você terá margem de segurança para arrancar.
5. Utilize dispositivos de segurança visíveis e modernos, como bloqueadores, rastreadores, localizadores, correntes, chaves interruptoras e trancas de direção.
6. Antes de entrar na garagem, repare em possíveis movimentações suspeitas. Se notar algo estranho, afaste-se e acione a Polícia.
POLICIA RECUPERA MENOS DA METADE
O cenário de crescimento dos furtos e roubos de veículos em Fortaleza de 2012 para 2013 é composto também pela recuperação dos bens levados por bandidos e quadrilhas especializadas nestes tipos de crime e por prisões efetuadas diariamente.
Segundo balanço da Delegacia Geral de Polícia Civil do Ceará enviado ao O POVO, mais da metade dos 2.980 carros roubados ou furtados em Fortaleza no primeiro semestre de 2013 ainda não foi localizada.
A estatística não contempla outros veículos (motos, caminhões, caminhonetes, motonetas etc), englobados no índice de 5.250 ocorrências citado em “Janeiro a julho] Roubos e furtos de veículos aumentam 35% na Capital” (na página 4).
Conforme o estudo da Delegacia Geral, foram recuperados 1.471 carros nos seis primeiros meses deste ano. Isto significa que 49% foram encontrados pela Polícia cearense (51%, portanto, não foram localizados até agora).
Já no tocante às prisões, o balanço indica 220 pessoas detidas só por equipes da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos e Cargas (DRFVC) entre janeiro e julho deste ano. A média é de 31 casos por mês. Distritos Policiais (não especializados nessas práticas criminosas) também prendem suspeitos/culpados. O POVO, contudo, não teve acesso a estes números.
De acordo com o titular da DRFVC, delegado Dionísio Amaral, o aumento de 35% nos casos de roubos e furtos em Fortaleza se deve “ao grande crescimento da frota, bem como a conjugação dos roubos e furtos com outros crimes, tais como o tráfico de drogas e a própria utilização de veículos apenas como instrumentos para prática de outros crimes.”
Amaral atribui à desconcentração da atuação das quadrilhas a dificuldade de combater esses crimes. “Estamos intensificando as fiscalizações em sucatas, desarticulando várias quadrilhas e concluindo diversos inquéritos policiais relativos a tais crimes.”
O Povo

