FORTALEZA: Prefeito espera saída espontânea de manifestantes do Cocó

Em entrevista Roberto Cláudio destacou, mais uma vez, que a área verde desmatada do parque, para a construção dos viadutos, é pequena e corresponde a apenas 0,018 hectare (Foto: Deivyson Teixeira/O Povo)

Após as últimas tentativas de negociação entre representantes do poder público e os manifestantes que continuam acampados no Parque de Cocó, em Fortaleza, em protesto à construção dos viadutos na confluência entre as avenidas Antônio Sales e Engenheiro Santana Júnior, o prefeito Roberto Cláudio afirmou, na manhã deste sábado, que as obras no local serão, sim, reiniciadas e disse esperar que o grupo deixe espontaneamente o espaço onde estão há mais de um mês.

Ele alegou, ainda, que o intuito do órgão é realizar um diálogo com os manifestantes para que o processo de desocupação ocorra de forma pacífica, mas não comentou se haverá outra operação de remoção como a realizada no último dia 8, quando a Guarda Municipal retirou, durante a madrugada, os acampamentos erguidos no Cocó.

Roberto Cláudio destacou, mais uma vez, que a área verde desmatada do parque é pequena e corresponde a apenas 0,018 hectare. “Não são mangue, não são árvores nativas, não fazem parte do ecossistema. Ainda assim, estamos plantando 500 árvores em Fortaleza para compensar. Essa é uma obra para o trabalhador e irá beneficiar toda a cidade”, frisou.

Acordo

Segundo a assessoria de Comunicação da Prefeitura de Fortaleza, não há prazo para a retomada das obras, mas a proposta é recomeçar o trabalho por outra frente enquanto os manifestantes continuarem no local. O órgão também declarou que não foi efetivado acordo com o grupo e que, caso uma ordem judicial chegue ao comando da Polícia Militar do Ceará, autorizando a remoção, será feita uma ação de desocupação.

Na noite de sexta-feira, integrantes do Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público Estadual (MP-CE), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE), Defensoria Pública Geral do Estado e Polícia Militar estiveram reunidos com os manifestantes para negociar a saída dos mesmos. Na ocasião, o grupo em protesto não se posicionou sobre a desocupação. Ficou acertado que os manifestantes devem ser comunicados a respeito de uma possível remoção com antecedência mínima de 48 horas.

Embargo

No dia 14, a Justiça Federal derrubou a liminar expedida no último dia 9, que embargava as obras do viaduto. A suspensão foi solicitada pelo Ministério Público Federal para que fosse apurada a operação da Guarda Municipal. A Prefeitura recorreu da decisão e conseguiu que a construção fosse liberada. No entanto, devido aos acampamentos, a obra não teve reinício.

Diário do Nordeste

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